O comando militar central do Irã anunciou neste sábado (20) o fechamento do Estreito de Ormuz para a passagem de navios, em resposta aos ataques realizados por Israel no sul do Líbano. Segundo Teerã, a ofensiva israelense representa uma violação do acordo firmado recentemente entre o Irã e os Estados Unidos para reduzir as tensões na região.
Em comunicado divulgado pela televisão estatal iraniana, as autoridades afirmaram que o bloqueio do estreito é o “primeiro passo” diante do que classificam como descumprimento dos compromissos assumidos pelo “inimigo”. O governo iraniano também advertiu que novas medidas poderão ser adotadas caso os ataques continuem, aumentando o risco de uma nova escalada militar no Oriente Médio.
O anúncio ocorre poucas horas após intensos bombardeios israelenses atingirem o sul do Líbano, apesar de um entendimento preliminar mediado pelos Estados Unidos para a redução das hostilidades. De acordo com relatos internacionais, os ataques deixaram dezenas de mortos e reacenderam os confrontos entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Localizado entre o Irã e Omã, por ele passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo, além de grandes volumes de gás natural liquefeito. Qualquer interrupção na navegação pode provocar impactos imediatos no mercado internacional de energia, pressionando os preços do petróleo e elevando os custos do transporte marítimo.
O novo fechamento acontece poucos dias após Irã e Estados Unidos anunciarem um acordo para encerrar as hostilidades e reabrir a importante rota comercial. Segundo Teerã, entretanto, a continuidade das operações militares israelenses no Líbano demonstra que os termos do entendimento não foram respeitados, motivando a retomada do bloqueio. As negociações diplomáticas previstas entre representantes iranianos e norte-americanos também foram afetadas pela nova crise.
A comunidade internacional acompanha a situação com preocupação, diante do risco de agravamento do conflito e dos possíveis reflexos para a economia global, especialmente no abastecimento de petróleo e na estabilidade das cadeias internacionais de comércio.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
