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    Início » Guerra no Oriente Médio preocupa agronegócio gaúcho e já provoca falta de combustível em cidades do RS
    Estado

    Guerra no Oriente Médio preocupa agronegócio gaúcho e já provoca falta de combustível em cidades do RS

    Fernando KopperFernando Kopper11 de março de 202603 Mins Read17

    Os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que se aproxima de duas semanas de duração, têm gerado preocupação entre representantes do agronegócio gaúcho. Lideranças do setor avaliam que o conflito internacional pode agravar ainda mais a situação econômica enfrentada pelos produtores do Rio Grande do Sul, que já lidam com dificuldades relacionadas ao endividamento e aos impactos do clima nas últimas safras.

    Nesta terça-feira (10), diversas cidades do Estado já registravam falta de combustível, situação que começou a gerar apreensão na população e no setor produtivo.

    Um dos exemplos mais preocupantes é a escassez de diesel, problema que se tornou público no último sábado e passou a ser associado aos reflexos do conflito internacional. O combustível é essencial para o funcionamento do maquinário agrícola, principalmente neste período de colheita do arroz. Com a dificuldade de abastecimento, alguns produtores já relatam a interrupção das atividades no campo.

    O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e também do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier, afirmou que o cenário ainda é incerto e exige cautela.

    Segundo ele, o setor enfrenta uma combinação de fatores negativos. “Vivemos uma tempestade perfeita. Nosso setor não está atravessando uma boa fase”, ressaltou, ao mencionar também o alto nível de endividamento dos produtores e os impactos das adversidades climáticas recentes.

    A preocupação também foi destacada pelo presidente da Cotrijal, cooperativa agropecuária com sede em Não-Me-Toque, Nei César Manica. Ele afirmou que o tema tem sido discutido durante a Expodireto Cotrijal, já que a guerra influencia diretamente os movimentos da economia global.

    “Então, a cadeia produtiva é impactada com a guerra, com falta de combustíveis e aumento de preços. Isso encarece ainda mais os custos de produção. Nós esperamos e acreditamos que isso seja um movimento passageiro. Porque se for duradouro, em um momento que estamos iniciando uma safra, é de extrema preocupação”, destacou.

    Além da falta de diesel, outro fator que preocupa o setor é o aumento do preço do petróleo. Nos primeiros dias do conflito, o valor do combustível registrou alta e, desde então, vem apresentando forte oscilação no mercado internacional.

    Outro insumo que pode ser afetado é a ureia, fertilizante amplamente utilizado em lavouras de milho. A região onde ocorre o conflito concentra parte significativa da produção mundial desse produto, o que pode impactar a oferta e elevar os custos para os agricultores.

    O economista da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antonio da Luz, destacou que elevações rápidas nos preços costumam gerar efeitos imediatos na economia rural. Ele relembrou o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando combustíveis e fertilizantes também sofreram forte valorização.

    “Isso me preocupa muito. Essas altas rápidas e duradouras. Porque exige que as pessoas tomem decisões que elas podem se arrepender quando a situação refluir”, afirmou. Segundo ele, é necessário acompanhar a evolução do conflito, já que guerras costumam provocar impactos diretos no preço do petróleo, no câmbio e na volatilidade dos mercados.

    Apesar das incertezas, representantes do setor mantêm expectativa de que o conflito tenha uma resolução rápida. A avaliação é de que, com o fim das tensões, o abastecimento de diesel e a estabilidade nas negociações de insumos e combustíveis possam ser normalizados.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper

    Fernando Kopper

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