Após meses de tensão e conflitos no Oriente Médio, os reflexos econômicos da guerra entre Estados Unidos e Israel já começaram a ser sentidos diretamente pelos consumidores gaúchos. Nesta semana, moradores de diversas cidades do Rio Grande do Sul foram surpreendidos ao encontrar frutas, verduras e outros produtos básicos com preços muito acima do habitual nos supermercados e feiras.
Entre os itens que mais chamaram a atenção está o tomate, que em alguns estabelecimentos já se aproxima dos R$ 10 o quilo. A cebola, cenoura, leite e carnes também apresentaram aumentos significativos, pressionando ainda mais o orçamento das famílias.
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o conflito internacional voltou a impactar os preços no Brasil durante o mês de abril, principalmente nos combustíveis e, de forma indireta, nos alimentos.
O principal reflexo ocorreu na gasolina, que teve alta de 1,86% em abril, sendo a maior pressão individual sobre a inflação oficial do país no período. O óleo diesel também apresentou forte aumento, chegando a 4,46%, enquanto o etanol subiu 0,62%.
De acordo com o pesquisador, o encarecimento do diesel acaba atingindo diretamente toda a cadeia de abastecimento, já que o combustível é utilizado no transporte rodoviário responsável por levar os produtos até supermercados, atacados e feiras.
“O diesel acaba tendo pressão também porque é combustível do caminhão, que faz transporte dos produtos para as prateleiras. A alta no diesel impacta no custo do frete”, explicou Fernando Gonçalves.
Com o frete mais caro, os custos acabam sendo repassados ao consumidor final. Além disso, alguns alimentos também enfrentam redução na oferta, o que contribui ainda mais para a disparada nos preços.
Os alimentos para consumo em casa registraram alta de 1,64% em abril, marcando o quinto mês consecutivo de aumento. Entre os produtos com maiores reajustes estão a cenoura, com alta de 26,63%, leite longa vida com 13,66%, cebola com 11,76%, tomate com 6,13% e carnes com aumento de 1,59%.
Nos mercados do Rio Grande do Sul, consumidores já relatam dificuldade para manter a rotina de compras diante dos novos valores encontrados nas prateleiras. Em muitos casos, famílias estão reduzindo a quantidade de itens levados para casa ou substituindo produtos por opções mais baratas para tentar equilibrar o orçamento doméstico.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
