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    Início » Fim do La Niña não garante alívio da estiagem no RS, alertam meteorologistas
    Agronegócio

    Fim do La Niña não garante alívio da estiagem no RS, alertam meteorologistas

    Fernando KopperFernando Kopper14 de abril de 202503 Mins Read4

    O fenômeno climático La Niña chegou ao fim, conforme anunciou nesta semana a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), dos Estados Unidos. Embora o encerramento do evento represente uma possível retomada à normalidade climática, especialistas alertam que o impacto da estiagem no Rio Grande do Sul ainda deve persistir por mais alguns meses.

    Caracterizado pelo resfriamento das águas do oceano Pacífico, o La Niña provocou alterações nos ventos e na circulação atmosférica, influenciando diretamente o clima no Estado, com o registro de um verão mais seco e quente do que o habitual. Ao todo, 310 municípios gaúchos decretaram situação de emergência por conta da falta de chuvas.

    Com o término do fenômeno, inicia-se agora um período de neutralidade. Segundo Murilo Lopes, meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o Pacífico deixa de ser o principal influenciador do clima regional, dando lugar a outros fatores globais. “A gente sai de um cenário onde tinha um personagem bastante importante. Agora, quem começa a afetar o clima são os coadjuvantes”, afirma.

    No entanto, a neutralidade não representa automaticamente um retorno à regularidade das chuvas. A professora Eliana Klerig, da Faculdade de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), explica que a previsão é de um outono ainda com períodos secos, intercalados por volumes concentrados de chuva. “Esses episódios podem ser intensos, mas seguidos por muitos dias sem precipitação, o que dificulta a reposição hídrica”, alerta.

    Outros fatores também influenciam no cenário climático do Estado, como a temperatura do oceano Atlântico Subtropical e as concentrações de gelo na Antártica. Segundo o meteorologista Daniel Caetano, da UFSM, o aquecimento acima da média no interior do Brasil pode dificultar o avanço de frentes frias, que são responsáveis pela formação de chuvas no Sul.

    Mesmo com o fim do La Niña, a situação da estiagem ainda preocupa. “As regiões Central e Oeste do Estado continuam com chuvas abaixo da média, e os volumes previstos podem não ser suficientes para reabastecer os reservatórios nem para preparar o solo para as próximas safras de verão”, afirma Caetano.

    Para os próximos meses, a previsão é de que o cenário de neutralidade se mantenha até pelo menos o início da primavera. Segundo Murilo Lopes, não há indicação, até o momento, de um novo episódio de La Niña ou do fenômeno El Niño. No entanto, ele alerta que mudanças podem ocorrer, e que o monitoramento constante é essencial.

     

    Diante do risco de continuidade da estiagem, Eliana Klerig recomenda medidas preventivas, como planejamento de contingência, construção de reservatórios e sistemas de irrigação. “Se não tivermos uma boa reposição agora, e um novo La Niña se instalar na primavera, podemos ter novamente um cenário de estiagem agravada”, conclui.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper

    Fernando Kopper

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