O Rio Grande do Sul vive dias de um contraste que salta aos olhos, e pesa no bolso. De um lado, o reajuste dos pedágios no sistema free flow começa a ser sentido por quem trabalha, transporta e depende diariamente das rodovias. De outro, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) intensifica sua agenda pelo interior a bordo de aeronave oficial, em meio a uma movimentação política que já tem cheiro de 2026.
No fim de semana, Souza desembarcou em Santiago acompanhado dos deputados Ernani Polo e Frederico Antunes, ambos também posicionados no tabuleiro eleitoral que começa a ser montado. A viagem foi feita em um Cessna Caravan da Brigada Militar, equipamento público que, em tese, serve ao interesse coletivo.
Oficialmente, tudo dentro da normalidade: compromissos institucionais, agendas regionais, presença do Estado no interior. Na prática política, porém, a frequência e o timing chamam atenção. Até pouco tempo atrás, não era comum ver essa sintonia tão intensa entre os mesmos nomes, tampouco esse ritmo de deslocamentos com tanta visibilidade.
E é aí que mora o problema, ou, no mínimo, o desconforto. Porque enquanto o cidadão ajusta o orçamento para dar conta de tarifas mais altas, a imagem que se projeta é a de uma máquina pública funcionando com eficiência seletiva: rigor nas cobranças, flexibilidade nos deslocamentos.
Não se trata de ilegalidade automática. A própria Lei das Eleições permite o uso de estruturas oficiais em agendas governamentais. Mas também impõe limites claros quando esse uso passa a tangenciar promoção pessoal ou vantagem eleitoral. E é justamente nessa zona cinzenta que o debate se instala, e cresce.
Nos bastidores, já há quem veja nas agendas uma pré-campanha em marcha, ainda que sem pedir voto. A estratégia é conhecida: ampliar presença, ganhar rosto, ocupar espaço. Sobretudo quando os números ainda são tímidos nas pesquisas.
O fato é que política também é percepção. E, neste momento, a percepção que ganha força é simples: o custo sobe para quem está na estrada, enquanto, para quem está no poder, o trajeto parece cada vez mais curto.
No fim das contas, não é apenas sobre voos ou pedágios. É sobre o recado que se passa. E, nesse aspecto, o governo talvez esteja falando mais do que imagina.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte e foto: Portal Adeso
