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    Início » O retorno de um símbolo: Por que a monarquia tem despertado interesse no Brasil?
    Colunistas

    O retorno de um símbolo: Por que a monarquia tem despertado interesse no Brasil?

    Fernando KopperFernando Kopper18 de abril de 202604 Mins Read6

    Por: João Victor C. dos Santos, estudante de ciência política e história. Fundador e líder do grupo Barões da Restauração. Mantenedor do site Brumas do Passado.

    Poucos países republicanos tratam seus presidentes ou primeiros-ministros como figuras de importante legado ou de respeitoso orgulho para a história. No Brasil, já tivemos tantas instabilidades, golpes e infelicidades com os presidentes eleitos, que fica difícil, senão impossível, falar bem a respeito de república brasileira marcada por rupturas constantes. É por conta dessa instabilidade que há dificuldade por parte da população geral em construir uma narrativa coerente sobre o próprio regime.

    Nesse vazio simbólico, aliado a falta de um senso de identidade comum num país tão diverso, que a monarquia tem despertado cada vez mais interesse entre as pessoas, seja pelo reconhecimento da identidade de formação do país, seja até pela restauração dessa forma de governo.

    Apesar de mais de 130 anos de república, a monarquia brasileira nunca saiu do imaginário popular. Enquanto a república tenta se reinventar a cada crise, a monarquia permanece como um bloco histórico relativamente coeso. O Império brasileiro durou 67 anos sob apenas dois monarcas, e Dom Pedro II, em particular, foi transformado em figura quase mítica, ganhando a alcunha de “Magnânimo”.

    Mesmo que não haja tanto conhecimento biográfico sobre as personalidades do período Imperial, nomes como Dom Pedro I, Dom Pedro II, Imperatriz Leopoldina e Princesa Isabel ainda são reconhecidos pela maioria, assim como os nomes de ruas e cidades que homenageiam os cidadãos notáveis desse período. E essa imagem cria uma presença simbólica e uma ideia de estabilidade que a república raramente consegue igualar.

    Num país desigual e cada vez mais polarizado como o nosso, a figura de um monarca como fator unificador, que fique acima das disputas políticas, regionais ou religiosas, certamente é vista como uma solução por muitos, ou no mínimo como um caminho para estabilidade e continuidade em uma nação acostumada com rupturas institucionais.

    Diante disso, o debate sobre a forma de governo no Brasil deixa de ser apenas algo meramente especulativo e passa a atingir dimensões mais profundas, como identidade, memória e continuidade institucional. Não se trata apenas de escolher entre república ou monarquia como modelos, mas sobre refletir sobre qual deles responde melhor às fragilidades da experiência brasileira de constituição de Estado.

    A monarquia, nesse contexto, não ressurge apenas como nostalgia ou romantização do passado, mas como um referencial simbólico de estabilidade em meio a um histórico de rupturas. Ao contrário das constantes “novas repúblicas”, marcadas por ciclos de crise e descontinuidade, o Império legou ao país uma narrativa mais linear e identificável, a qual ainda se faz presente no imaginário popular – mesmo quando temos isso em personalidades que categorizamos como Rei do Futebol ou Rainha dos Baixinhos.

    Certamente considerar tudo isso não significa ignorar os limites e contradições do período imperial. Certamente também houve falhas, tanto do parlamento quanto da própria família imperial. Também não está se supondo que uma eventual restauração seria, por si só, uma solução automática para os problemas nacionais. Mas devemos reconhecer que há uma demanda latente por unidade, permanência e representação que vá além das disputas de mandatos temporários.

    Talvez seja justamente nessa demanda que cada vez mais pessoas começam a ver a restauração como uma possibilidade real e viável. À medida que mais brasileiros revisitam sua história e questionam os caminhos institucionais adotados, busca-se referências de estabilidade e a monarquia é vista, por alguns, como um tema cada vez mais digno de debate público.

    A Restauração provavelmente não será um evento iminente, mas certamente não é uma impossibilidade. Mas, como toda transformação política fundamental, ela depende de consciência, maturação e vontade coletiva. Se esses requisitos começarem a ser pensados pelos movimentos monarquistas, e aplicados no debate geral, o que pode parecer distante hoje com o tempo pode se tornar uma alternativa concreta.

    Pensar numa mudança de forma de governo não é querer gerar mais uma ruptura, mas sim buscar, com a devida maturidade histórica e política, uma opção que ofereça estabilidade e continuidade a uma nação tão ferida e descreditada com os erros e litígios de seus governantes.

    Fernando Kopper

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