Por: João Victor C. dos Santos, estudante de Ciência Política e História, fundador e líder do grupo Barões da Restauração e mantenedor do site Brumas do Passado.
“Bem pertinho do coração do Rio Grande
Vivo em ti, amado São Sepé
Recebi no calor de teu abraço
Tanto afeto p’ra viver de amor e fé”
(Trecho do Hino de São Sepé)
Escolhi fugir dos temas políticos hoje para falar de maneira mais pessoal e homenagear a terra que me gerou. Embora Cruz Alta tenha me acolhido por quase 13 anos, além de ser a terra do lado paterno da minha família, foi em São Sepé que iniciei minha jornada neste mundo, vivendo os primeiros 15 anos da minha vida lá. E agora, em 29 de abril de 2026, a cidade completa 150 anos de emancipação.
Para quem não conhece, São Sepé é uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, localizada na Região Central do estado. Seu nome, pela teoria mais aceita, é uma homenagem a Sepé Tiaraju, líder indígena guarani que lutou ao lado dos jesuítas na chamada Guerra Guaranítica. É atribuído a ele a famosa frase “Esta terra tem dono” e, atualmente, ele é um dos homenageados no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria.
Apesar de ser uma pequena cidade, a formação cidadã que se recebe lá sempre foi um modelo pra mim. Estudando em escola pública, tive sempre a sorte de ter professores maravilhosos (salvo uma ou outra exceção). Lembro até hoje da 2ª série, quando nos foi apresentado os hinos nacional, estadual e municipal. Lembro das noções de honra e respeito que se deveria ter quando se hasteava a bandeira, e da importância que nos era dito sobre esse civismo e sobre conhecer nossa história e reconhecê-la como tão válida e importante como de qualquer outro lugar. Não é à toa que hoje estudo História e Ciência Política.
Hoje, portanto, quero apenas homenagear agradecendo. Agradecer a paisagem de pampa, que trazia um vento gelado numa tarde quente, e que propiciava noites tão estreladas e silenciosas. Agradecer o ensino recebido e pelos incentivos fundamentais dos professores de sempre acreditar que a educação pode transformar e dar significado à vida. Agradecer também pelos colegas que tive e pelas amizades que ainda permanecem, dos quais sempre serei grato. Agradecer a família que tive lá, seja de sangue ou não, que ajudou muito na formação do meu caráter de hoje. E agradecer a Deus que, de todas as possibilidades, me deu o privilégio de nascer sepeense.
Parabéns, terra da Fonte da Bica, da Gruta do Marco, da Praça das Mercês, da Cascata da Pulquéria e do extinto, mas nunca esquecido, Fogo de Chão bicentenário. Terra também dos Plácidos Chiquiti e Gonçalves Dias, terra dos heróis da Guerra do Paraguai Coronel Chananeco, Guilherme Germany, Capitão Emídio e Capitão Elautério. Terra do Monsenhor Mario Deluy, de Percival Brenner e Diolofau Brum. Terra do arroz, do antigo ouro, do Pamade, do CESS, do Madre Júlia, do Clube do Comércio, do Sinuelo da Canção Nativa, das Vozes da Pulquéria, da Nossa Senhora das Mercês…
Que essa pequena parcela de citações aja como uma singela homenagem de um de seus filhos. Parabéns, São Sepé, pelo seu sesquicentenário.
