Os produtores de leite do Rio Grande do Sul enfrentam um cenário de forte pressão econômica, com aumento dos custos de produção e redução no valor pago pelo produto. A combinação desses fatores tem reduzido a rentabilidade da atividade e acendido um alerta para o futuro da cadeia leiteira no Estado.
De acordo com o Índice de Insumos para a Produção de Leite Cru elaborado pela Farçul, os custos de produção registraram alta de quase 3% em abril na comparação com o mês anterior, acumulando avanço de 1,6% no ano.
Entre os principais fatores responsáveis pelo aumento estão a elevação dos preços dos combustíveis, influenciada pelos conflitos no Oriente Médio, com alta de aproximadamente 2,3%, o aumento de quase 13% nos custos dos fertilizantes e o crescimento superior a 30% nas despesas com energia elétrica.
Enquanto os custos aumentam, o preço pago pelo leite ao produtor apresentou queda de cerca de 10%, comprometendo a margem financeira das propriedades e reduzindo a capacidade de investimento dos produtores.
A situação tem provocado o abandono da atividade por parte de muitos agricultores. Relatos do setor indicam que, em algumas comunidades, onde havia 12 produtores de leite, atualmente apenas dois permanecem na atividade, evidenciando a redução contínua do número de propriedades dedicadas à produção leiteira.
Representantes do segmento apontam a ausência de políticas públicas e de medidas de apoio governamental como um dos fatores que agravam a crise. Além disso, a equipe econômica da Farçul alerta que, mesmo com certa estabilidade nos preços dos combustíveis, as restrições no Estreito de Ormuz continuam pressionando os custos dos fertilizantes, insumo essencial para a produção de alimentos destinados ao rebanho leiteiro.
Diante desse cenário, o setor acompanha com preocupação a evolução dos custos e dos preços, temendo novos impactos sobre a sustentabilidade econômica da atividade e a permanência dos produtores no campo.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
