Os Correios encerraram as atividades de 11 agências no Rio Grande do Sul entre o final de maio e o início de junho, como parte do plano de reestruturação da estatal diante dos sucessivos prejuízos financeiros registrados pela empresa. As unidades fechadas estão localizadas em Porto Alegre, Caxias do Sul, Gramado, Rio Grande, Triunfo, São Leopredo e Derrubadas.
Na Capital, quatro agências deixaram de funcionar: no Foro Central, no bairro Praia de Belas; no Campus do Vale da UFRGS, no bairro Agronomia; na Avenida Protásio Alves, no bairro Vila Jardim; e na Avenida Bento Gonçalves, no bairro Partenon. Em Caxias do Sul, foram fechadas as unidades dos bairros Ana Rech e Galópolis. Também tiveram as atividades encerradas agências em Gramado, Rio Grande, Triunfo, São Leopoldo e Derrubadas.
Em nota, os Correios afirmaram que o atendimento à população continua normalmente, uma vez que existem outras unidades nos municípios afetados. No entanto, moradores das regiões atingidas manifestaram preocupação com o aumento da distância para acessar os serviços.
Na zona leste de Porto Alegre, a moradora Elenira Martins Pereira, conhecida como Dona Nira, lamentou o fechamento da agência localizada na Avenida Bento Gonçalves. Segundo ela, muitos moradores utilizavam a unidade para retirar encomendas devido às dificuldades de localização dos endereços na comunidade e, agora, precisarão arcar com custos de transporte para buscar atendimento em outro local.
Em Caxias do Sul, o presidente da Associação Amigos de Ana Rech (Samar), Paulo Ballardin, afirmou que o encerramento das atividades representa um transtorno para a população, especialmente para os idosos e moradores da região mais afastada do centro da cidade, que terão maior tempo de deslocamento.
Embora os Correios informem que não há previsão de novos fechamentos nas próximas semanas, o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect-RS) afirma que outras unidades estão sendo avaliadas para encerramento, incluindo centros de distribuição localizados nos bairros Menino Deus e Navegantes, em Porto Alegre.
A reestruturação ocorre em meio a uma grave crise financeira enfrentada pela estatal. O balanço mais recente aponta prejuízo de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026. Em 2025, a empresa acumulou perdas de R$ 8,5 bilhões, mantendo uma sequência de resultados negativos registrada desde o final de 2022.
Como parte das medidas para reforçar o caixa, os Correios anunciaram no final de 2025 um empréstimo de R$ 12 bilhões junto ao Tesouro Nacional. O plano também prevê o fechamento de mil das cerca de seis mil agências próprias existentes no país e a venda de ativos. No Rio Grande do Sul, a empresa mantém aproximadamente 500 unidades próprias.
Além disso, a estatal implantou um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV). A expectativa era alcançar cerca de 10 mil adesões neste ano e outras 5 mil em 2027. Até o momento, aproximadamente 3,1 mil empregados aderiram ao programa em todo o Brasil, sendo cerca de 85 no Rio Grande do Sul, conforme o sindicato da categoria.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte e foto: Diário Gaúcho
