A colheita do milho no Rio Grande do Sul alcançou 96% da área cultivada e apresentou pouco avanço na última semana, mantendo o mesmo índice registrado anteriormente. Conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, restam principalmente áreas de safrinha e lavouras implantadas nos períodos mais tardios do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que se encontram em fase de maturação.
De acordo com a entidade, uma pequena parcela das áreas remanescentes ainda está em enchimento de grãos e segue vulnerável aos efeitos das baixas temperaturas registradas em maio. As geadas provocaram danos considerados limitados, especialmente em pendões e no ritmo de desenvolvimento das plantas, com impactos mais significativos em áreas de baixada e em cultivos tardios conduzidos com híbridos de ciclo mais longo. Em algumas propriedades, as lavouras mais afetadas foram destinadas à produção de silagem.
Apesar disso, a Emater destaca que as lavouras em fase final de ciclo continuam apresentando potencial produtivo satisfatório. Entretanto, a elevada umidade relativa do ar nas primeiras horas do dia, a ocorrência frequente de cerração e as temperaturas amenas favoreceram o avanço de doenças foliares, como a cercosporiose e o complexo de enfezamentos.
Enquanto a safra se aproxima do encerramento, os produtores já iniciam os preparativos para o próximo ciclo produtivo. Estão em andamento ações de implantação de plantas de cobertura e adubação verde, além da avaliação dos custos de produção, especialmente relacionados aos fertilizantes.
Na região administrativa de Bagé, a colheita atingiu 90% da área cultivada, restando cerca de 6 mil hectares em diferentes estágios de maturação. Em São Borja, produtores já começaram a semear plantas de cobertura, utilizando misturas de espécies ou apenas nabo forrageiro, alternativa considerada mais econômica.
Na região de Ijuí, a colheita está em fase de encerramento, com produtividade média próxima de 9.200 quilos por hectare. As lavouras de safrinha avançam para a fase final de maturação e deverão ser colhidas nos próximos dias.
Em Pelotas, 71% dos 39 mil hectares cultivados já foram colhidos. Outros 25% estão em maturação e 4% permanecem em enchimento de grãos. Os produtores relatam aumento dos prejuízos causados por javalis e caturritas, que vêm afetando parte das áreas cultivadas.
Na região de Santa Rosa, 97% da área foi colhida. As áreas remanescentes apresentam desenvolvimento satisfatório, embora as condições climáticas recentes estejam favorecendo a incidência de cercosporiose e do complexo de enfezamentos.
Já em Soledade, a colheita alcançou 85% da área cultivada. Ainda há lavouras em enchimento de grãos, maturação fisiológica e maturação plena. Segundo a Emater/RS-Ascar, o frio não provocou prejuízos expressivos no Baixo Vale do Rio Pardo, mas contribuiu para prolongar o ciclo da cultura. Nas áreas mais elevadas da região, porém, foram registrados danos pontuais causados pelas geadas, incluindo casos de requeima de pendões.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
