A safra de verão caminha para o encerramento no Rio Grande do Sul com a colheita da soja em fase final e o milho praticamente concluído. Os dados constam no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, que também aponta preocupações relacionadas aos custos de produção, crédito rural e riscos climáticos para as próximas safras de arroz e trigo.
De acordo com o levantamento, a colheita da soja está concentrada nas áreas remanescentes de segunda safra e em talhões semeados fora do período ideal. As condições climáticas da última semana favoreceram o avanço dos trabalhos de campo, permitindo a retirada da maior parte das lavouras que já estavam maduras. No entanto, a elevada umidade relativa do ar, a presença frequente de neblina e a menor incidência de radiação solar retardaram a secagem natural dos grãos, reduzindo o ritmo das operações em algumas regiões produtoras.
A produtividade média estimada da cultura alcança 2.871 quilos por hectare em uma área cultivada de 6,62 milhões de hectares. Apesar dos resultados positivos em grande parte das lavouras, a Emater/RS-Ascar registra perdas de potencial produtivo em áreas tardias e de safrinha devido ao aumento da incidência de doenças foliares. No mercado, a saca da soja apresentou valorização de 0,74% na semana, passando de R$ 115,52 para R$ 116,37.
No caso do milho, a colheita chegou a 97% da área cultivada no Estado. As lavouras ainda pendentes estão localizadas principalmente em pequenas propriedades e em cultivos implantados mais tardiamente. Segundo a Emater/RS-Ascar, as temperaturas mais baixas e a menor radiação solar registradas nas últimas semanas prolongaram o ciclo final da cultura, retardando a conclusão dos trabalhos.
O preço médio do milho também apresentou alta, avançando 0,87% e alcançando R$ 59,27 por saca. Já a colheita destinada à produção de silagem ultrapassou 98% da área prevista. Em algumas localidades, as geadas registradas em maio causaram queima foliar nas plantas, provocando perdas pontuais na qualidade da forragem utilizada na alimentação animal.
No arroz, a colheita foi concluída em todo o Rio Grande do Sul com resultados considerados positivos em produtividade e qualidade dos grãos. Entretanto, o setor enfrenta dificuldades econômicas em razão dos preços abaixo dos custos de produção, da redução na liquidez do mercado e da alta nos preços dos fertilizantes. Na última semana, a cotação média da saca de 50 quilos recuou 0,95%, passando de R$ 58,66 para R$ 58,10.
Para a cultura do trigo, a semeadura da safra 2026 apresenta desenvolvimento inicial satisfatório nas áreas implantadas dentro da janela recomendada. Apesar disso, o cenário indica uma possível redução significativa da área cultivada em comparação com a safra anterior. Entre os fatores apontados estão os elevados custos de produção, as dificuldades de acesso ao crédito e ao seguro rural e a preocupação dos produtores com os riscos climáticos.
Na safra passada, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo e colheu 3,45 milhões de toneladas. Mesmo diante das incertezas, a cotação do cereal apresentou valorização de 1,96% na semana, subindo de R$ 64,24 para R$ 65,50 por saca.
O panorama apresentado pela Emater/RS-Ascar demonstra que a safra de verão está sendo concluída com resultados operacionais positivos e avanço nas colheitas. Contudo, os produtores gaúchos seguem atentos aos desafios econômicos e climáticos que deverão influenciar as decisões de investimento para o próximo ciclo agrícola, especialmente nas culturas de inverno, cuja definição de área plantada dependerá das condições de mercado, da disponibilidade de crédito e das perspectivas climáticas para os próximos meses.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Canal Rural
