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    Início » Câmara de Cachoeirinha marca para 2 de janeiro sessão que decide impeachment do prefeito Cristian Wasem
    Política

    Câmara de Cachoeirinha marca para 2 de janeiro sessão que decide impeachment do prefeito Cristian Wasem

    Fernando KopperFernando Kopper31 de dezembro de 202504 Mins Read3

    Os vereadores de Cachoeirinha tentaram antecipar ainda para 2025 a votação do processo de impeachment do prefeito Cristian Wasem (MDB), mas a iniciativa acabou barrada pelo rito regimental da Câmara. Diante disso, a presidente do Legislativo, vereadora Juçara Caçapava (Avante), convocou uma sessão extraordinária para o primeiro dia útil do ano, quando será decidido o futuro do mandato do chefe do Executivo. A sessão está marcada para esta sexta-feira, dia 2, às 10h.

    Cristian Wasem responde a dois processos por infrações político-administrativas. No relatório final da comissão processante, que recomenda a cassação do mandato, o vereador Otoniel Gomes (MDB), relator do caso, acolheu duas das quatro acusações apresentadas contra o prefeito. Entre elas estão a conduta considerada atentatória à autonomia e ao regular funcionamento da Câmara de Vereadores e as chamadas “pedaladas” no IPREC (Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Cachoeirinha), além do risco fiscal gerado em ano eleitoral. As pedaladas dizem respeito a manobras fiscais em que o governo atrasa repasses obrigatórios para maquiar as contas públicas e cumprir metas financeiras.

    O vice-prefeito Delegado João Paulo (Progressistas) também é alvo de investigação. Das quatro acusações formuladas contra ele, o relator acolheu uma, relacionada à contratação emergencial considerada irregular e a infrações cometidas durante o período em que exerceu o cargo de prefeito em substituição.

    Ao longo de cerca de 50 páginas, o relatório que fundamenta o pedido de perda de mandato sustenta a legalidade do processo investigatório e faz duras críticas à postura do prefeito durante a tramitação. Segundo Otoniel Gomes, Wasem teria “ocultado até o limite” informações relativas aos procedimentos em andamento. O documento afirma ainda que o prefeito “jamais recebeu os servidores desta Casa Legislativa, na sede da prefeitura, tampouco em sua residência”, mesmo diante das tentativas de diálogo institucional.

    Caso a Câmara aprove a cassação do prefeito e do vice-prefeito, o comando do Executivo municipal passará de forma interina à presidente do Legislativo, Juçara Caçapava. Na sequência, caberá à Justiça Eleitoral definir, em até 90 dias, a data de realização de eleições suplementares no município.

    O cenário guarda uma ironia política. Cristian Wasem chegou ao comando da prefeitura justamente por meio de uma eleição suplementar. Em abril de 2022, ele foi empossado prefeito após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) cassar o então gestor Miki Breier (PSB) por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2020, decisão que também tornou Breier inelegível por oito anos. Ainda em 2022, Wasem venceu a eleição suplementar realizada durante o segundo turno das eleições gerais e, em 2024, foi reeleito prefeito de Cachoeirinha.

    Em nota oficial, Cristian Wasem afirmou que as acusações não se comprovam nos autos e classificou o processo como uma tentativa de “golpe político” promovida por uma minoria. O prefeito elencou obras e ações realizadas durante sua gestão, citando investimentos em infraestrutura, educação, saúde, proteção à mulher e responsabilidade financeira, além de destacar a reforma da previdência municipal e a recuperação da credibilidade fiscal do município. Segundo ele, o processo tenta anular a vontade de 71,86% do eleitorado que o reelegeu.

    Também em nota, a Câmara de Vereadores de Cachoeirinha rebateu as declarações do prefeito e afirmou que o impeachment é um instrumento legal, previsto na Constituição e no regimento interno do Legislativo. O comunicado sustenta que não se trata de disputa política, mas do cumprimento do dever constitucional de fiscalizar o uso dos recursos públicos. A Câmara destacou que os processos foram admitidos pela ampla maioria dos vereadores, inclusive por integrantes dos partidos do prefeito e do vice-prefeito, e que as investigações envolvem contratações e aquisições realizadas em momentos sensíveis, como durante as enchentes que atingiram o município.

    A sessão extraordinária desta sexta-feira será decisiva para o futuro político de Cachoeirinha e deve atrair grande atenção da comunidade e do cenário político estadual.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper

    Fernando Kopper

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