O relatório preliminar sobre o acidente com o helicóptero que matou o cantor Rick Sollo e outras quatro pessoas, em Urubici, na Serra Catarinense, aponta falhas recorrentes nos geradores da aeronave e informa que o gravador de áudio da cabine não registrou o voo do acidente. O documento foi anexado na terça-feira (21) ao processo de investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
As informações do Cockpit Voice Recorder (CVR), conhecido como caixa-preta, foram extraídas pelo órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB). No entanto, o equipamento, que tinha capacidade para armazenar 30 minutos de áudio, continha diálogos relacionados a uma intervenção de manutenção realizada em data não determinada, sem registros do voo que terminou na queda.
O documento, de 16 páginas, destaca que os geradores da aeronave apresentavam problemas frequentes. Segundo os registros analisados, um mecânico já havia recomendado o retorno do helicóptero à oficina para investigar as falhas, mas isso não havia ocorrido até a data do acidente.
Os geradores são responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica da aeronave e, na maioria dos modelos, também participam da partida dos motores.
Conforme o relatório, algumas falhas ocorreram após voos em condições de chuva ou dentro de nuvens, situações que poderiam ter exposto os geradores à umidade. O mecânico confirmou que os problemas eram recorrentes, embora não pudesse afirmar que a umidade fosse a causa.
As falhas chegaram a diminuir temporariamente, mas voltaram a ocorrer. Em determinado momento, um dos geradores deixou de fornecer energia, enquanto o outro manteve o funcionamento do sistema elétrico e evitou que as telas da aeronave se apagassem.
Em 25 de abril de 2026, o segundo motor-gerador de partida precisou ser substituído por outro locado. Após reparos, o componente removido foi reinstalado em 13 de maio, em uma posição diferente. Posteriormente, os problemas passaram a ocorrer de forma alternada nos dois geradores, levando o mecânico a recomendar uma nova inspeção.
O histórico de manutenção também registra que, em 30 de março, o helicóptero precisou realizar um pouso de emergência em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, devido a uma vibração considerada anormal. Segundo o documento, as manutenções realizadas posteriormente não identificaram problemas na vibração do rotor principal.
Condições meteorológicas no momento do acidente
De acordo com o Cenipa, o helicóptero colidiu contra o terreno em uma região montanhosa do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina. No momento do acidente, a área estava sob influência de um sistema frontal, com chuva e formação de nuvens baixas.
A previsão meteorológica para a região indicava chuva moderada, visibilidade reduzida a 3 quilômetros, trovoadas embutidas e nuvens com bases a 2.500 pés e topos acima de 10 mil pés. O documento também apontava a possibilidade de obscurecimento das montanhas da Serra Geral.
Apesar dos dados sobre as condições meteorológicas e o histórico de falhas mecânicas, o Cenipa ressalta que nenhuma hipótese para o acidente foi descartada. A investigação continua em andamento, com exames e análises complementares.
O órgão esclarece que o relatório preliminar tem como objetivo apresentar o estágio atual da apuração e que as informações ainda podem ser alteradas, não representando necessariamente as conclusões que serão apresentadas no relatório final.
Posicionamento da empresa proprietária
Em nota, a JTA Empreendimentos e Urbanismo, proprietária do helicóptero PP-MGR, afirmou que o relatório preliminar não apresenta conclusões sobre as causas do acidente.
A empresa destacou que a relação entre as condições meteorológicas, as possíveis falhas mecânicas e a queda ainda não foi estabelecida oficialmente pelo Cenipa. Também informou que a aeronave estava com os registros de manutenção atualizados e o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido.
A JTA declarou que continua colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação e pediu que as informações sejam tratadas com rigor e responsabilidade, em respeito às vítimas e aos familiares.
Cinco pessoas morreram na queda
O acidente ocorreu em setembro, após o helicóptero decolar pela manhã de Porto Belo, em Santa Catarina. Além do cantor Rick Sollo, conhecido por integrar a dupla Rick e Renner, estavam a bordo o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
A aeronave desapareceu na tarde de 21 de setembro e foi localizada posteriormente na região montanhosa. A investigação do Cenipa busca esclarecer as circunstâncias da ocorrência e identificar os fatores que possam ter contribuído para o acidente.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
