O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a abertura de uma investigação pela Polícia Federal contra o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo informações da CNN, a apuração deverá investigar uma possível prática de crimes relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A determinação ocorre após a Polícia Federal deflagrar, na quinta-feira (10), a Operação Make Up, que teve como alvos o deputado federal Mário Frias (PL-RJ) e a produtora Karina Gama, responsável pelo filme. Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino.
As investigações apuram a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares feitas por Mário Frias, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina da Gama. A Polícia Federal também investiga contratos firmados pelo instituto e pela Academia Nacional de Cultura (ANC), igualmente presidida por Karina, com empresas relacionadas a doadores de campanha de Frias, ex-assessores parlamentares e ao advogado do deputado.
Segundo os investigadores, existem suspeitas de que parte dos contratos possa ter sido simulada ou fraudulenta. A operação também alcançou pessoas ligadas ao deputado e ao instituto, incluindo ex-assessores parlamentares e indivíduos contratados para supostas prestações de serviços. Entre os alvos está Raphael Augusto Azevedo, que ocupou o cargo de chefe de gabinete de Mário Frias.
A apuração identificou ainda indícios de elaboração posterior e retrodatação de contratos, orçamentos e notas fiscais, que teriam sido utilizados para conferir aparência de legalidade às operações envolvendo emendas parlamentares perante a Controladoria-Geral da União (CGU).
Os investigadores apontam também a existência de um possível fluxo financeiro circular envolvendo o parlamentar, entidades, empresas contratadas e a produtora Go Up Entertainment. Conforme a investigação, as movimentações alcançaram R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.
Em agosto, Flávio Dino autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal de dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo durante a Operação Wi-Fi, que também teve Karina Gama como alvo. A investigação apura suspeitas de fraudes e desvios em contratos e aditivos firmados entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil.
O material passou a ser analisado pela Polícia Federal como parte das investigações sobre possíveis desvios de recursos públicos, especialmente de emendas parlamentares, relacionados à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
