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    Início » Semeadura do trigo começa no RS com previsão de forte redução da área cultivada na safra 2026
    Agronegócio

    Semeadura do trigo começa no RS com previsão de forte redução da área cultivada na safra 2026

    Fernando KopperFernando Kopper29 de maio de 202604 Mins Read1

    A semeadura do trigo já começou no Rio Grande do Sul acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para os principais materiais cultivados no Estado. Conforme o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (28) pela Emater/RS-Ascar, a safra 2026 deve registrar uma redução significativa da área plantada em comparação ao ciclo anterior.

    As condições de tempo seco favoreceram os trabalhos de manejo de resteva, dessecação e preparo das áreas, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. Em algumas regiões produtoras, porém, a baixa umidade do solo vem dificultando o estabelecimento das primeiras áreas semeadas, fazendo com que produtores aguardem chuvas mais regulares para garantir melhores condições de germinação e emergência.

    Segundo a Emater/RS-Ascar, a expectativa de retração da área cultivada está relacionada aos altos custos de produção, à baixa atratividade econômica do trigo e ao aumento da percepção de risco produtivo diante da atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.

    Mesmo diante desse cenário, parte dos produtores já antecipou a semeadura em áreas sem vínculo com financiamentos ou seguro rural. A estratégia busca posicionar as fases de florescimento e enchimento de grãos antes do período de maior intensidade das chuvas de primavera.

    Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3,45 milhões de toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Na região administrativa da Emater/RS-Ascar da Fronteira Oeste, a semeadura avança lentamente, mesmo com a colheita da soja praticamente concluída. Em Manoel Viana, produtores já possuem insumos adquiridos e áreas preparadas, mas aguardam precipitações devido à baixa umidade do solo.

    Em São Borja, aumentaram os relatos de desistência do cultivo do trigo. Conforme o boletim, a combinação entre previsão de El Niño intenso, custos elevados e maior rigor na classificação qualitativa dos grãos vem ampliando a migração para culturas alternativas, como canola, carinata, linhaça e painço.

    Na região da Campanha, os produtores seguem aproveitando o tempo seco para preparar o solo, já que a implantação das lavouras normalmente ocorre a partir do fim de junho.

    Na região de Caxias do Sul, a semeadura ainda não começou. Na Serra Gaúcha, o plantio costuma ocorrer entre a segunda quinzena de junho e o início de julho, enquanto nos Campos de Cima da Serra os trabalhos se concentram ao longo de julho. A expectativa é de retração de aproximadamente 30% da área cultivada.

    Na regional de Frederico Westphalen, a estimativa inicial aponta redução próxima de 20% em relação à safra passada.

    Em Ijuí, a semeadura já alcança cerca de 7% da área projetada. As sementes estão em fase de embebição, ainda sem emergência observada. O avanço foi favorecido pelo início do período recomendado pelo zoneamento agrícola e pelas boas condições operacionais do solo. Também seguem os trabalhos de dessecação para manejo de plantas espontâneas.

    O boletim destaca ainda que empresas do setor de energia vêm estimulando o cultivo voltado à produção de etanol, em substituição ao trigo destinado à indústria alimentícia. A baixa procura por sementes fiscalizadas e crédito de custeio também tem ampliado o uso de sementes salvas e recursos próprios, reforçando a tendência de redução da área cultivada.

    Na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge 6% da área prevista e está concentrada em lavouras sem financiamento ou cobertura de seguro rural. A expectativa de um inverno com menor intensidade de geadas também favorece a antecipação do plantio. A estimativa preliminar aponta retração próxima de 30% da área cultivada em relação a 2025.

    Já na região de Soledade, a previsão é de redução superior a 30% da área cultivada. Até o momento, cerca de 7% da área projetada já foi semeada.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: Agrolink

    Fernando Kopper

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