O alerta nacional para um possível aumento dos casos de dengue e chikungunya associado aos efeitos do fenômeno El Niño coloca os municípios gaúchos em atenção diante da possibilidade de condições climáticas mais favoráveis à reprodução do mosquito Aedes aegypti.
Na Serra Gaúcha, o município de Caxias do Sul já registrou 2.146 focos do mosquito e confirmou cinco casos de dengue desde o início de 2026, conforme boletim municipal atualizado na segunda-feira (20). Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, todos os focos identificados foram eliminados pela Vigilância Ambiental, mas a presença do vetor em diferentes regiões exige acompanhamento constante.
Entre os bairros com maior número de registros estão Fátima, com 153 focos; Cristo Redentor, com 101; Santa Fé, com 85; Cruzeiro, com 81; e Charqueadas, com 80.
O Ministério da Saúde emitiu um alerta aos estados e municípios sobre a possibilidade de crescimento das arboviroses no Brasil, considerando projeções epidemiológicas e os possíveis impactos do El Niño. A Nota Informativa nº 10/2026 estima cerca de 1,7 milhão de casos suspeitos de dengue no país em 2027, com um intervalo que pode variar entre 1 milhão e 5,6 milhões de notificações.
O órgão federal destaca que a projeção não representa uma previsão definitiva, já que o cenário dependerá da intensidade do fenômeno climático, da circulação dos vírus, da presença do mosquito e das medidas de prevenção adotadas pelas autoridades e pela população.
Entre as recomendações estão o reforço das visitas dos agentes de combate às endemias, a eliminação de criadouros e a realização de bloqueios de transmissão após a identificação dos primeiros casos.
Região Sul exige atenção, mas não há previsão de epidemia
Apesar do alerta, os estudos não indicam automaticamente uma epidemia no Rio Grande do Sul ou na Serra Gaúcha. Nos cenários considerados mais prováveis, a Região Sul pode apresentar números semelhantes ou até inferiores aos registrados em 2025.
Um aumento de aproximadamente 20% aparece apenas em uma hipótese de ocorrência de um El Niño classificado como superforte em comparação com um período de neutralidade climática.
A Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul já disponibilizou a nota federal para gestores e profissionais da Atenção Primária, mas até o momento não há uma projeção estadual específica relacionada aos impactos do El Niño na região.
O fenômeno foi confirmado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) em 9 de julho. A previsão indica fortalecimento durante o segundo semestre e permanência até o início de 2027.
No Rio Grande do Sul, o El Niño costuma favorecer o transporte de umidade da Amazônia para o Estado, aumentando a possibilidade de períodos com chuva intensa, tempestades e alta umidade. Essas condições, associadas ao calor, podem acelerar o ciclo de reprodução do Aedes aegypti.
Especialistas reforçam, porém, que o fenômeno climático não provoca sozinho uma epidemia. A transmissão depende de diversos fatores, como circulação viral, saneamento, temperatura, presença do mosquito e ações de controle.
Casos de dengue apresentam redução no Brasil em 2026
O alerta ocorre em um cenário de queda nos registros nacionais. Até 20 de junho, o Brasil contabilizava cerca de 392,8 mil casos de dengue, uma redução de 73% em relação ao mesmo período de 2025. Os casos de chikungunya também apresentaram queda, com redução de 46%.
Mesmo com a diminuição dos números, as autoridades reforçam que as medidas de prevenção devem continuar durante todo o ano, principalmente antes dos meses mais quentes, quando aumenta o risco de proliferação do mosquito.
A população deve manter caixas-d’água e reservatórios fechados, limpar calhas e ralos, retirar água acumulada em pratos de plantas, guardar pneus em locais cobertos e eliminar recipientes que possam acumular água.
Entre os sintomas da dengue estão febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, manchas vermelhas e dor atrás dos olhos. Já a chikungunya costuma causar febre e fortes dores nas articulações.
Em caso de sintomas, a orientação é procurar atendimento de saúde e evitar a automedicação. Sinais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos ou piora após a redução da febre exigem avaliação médica imediata.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
