Produtores rurais de diferentes regiões do Rio Grande do Sul voltaram a relatar dificuldades para garantir o abastecimento de óleo diesel, segundo informações divulgadas pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). A situação ocorre em um período estratégico para o setor, marcado pelo início das operações de plantio da safra de verão.
A entidade afirma ter recebido novos relatos de demora nas entregas e restrições no fornecimento do combustível. Diante das informações, a Farsul passou a reunir dados junto aos produtores e pretende buscar esclarecimentos com os responsáveis pela distribuição.
O presidente da Federação, Domingos Velho Lopes, alertou para os possíveis impactos sobre o calendário agrícola. Segundo ele, o plantio depende de períodos específicos e, por isso, os produtores possuem margem limitada para atrasar as operações.
A preocupação é que eventuais dificuldades no acesso ao diesel comprometam o funcionamento das máquinas, prejudiquem o cumprimento das janelas de semeadura e, em situações mais graves, reduzam a área efetivamente plantada. Os reflexos podem aparecer posteriormente na produtividade e no volume da produção.
Além da disponibilidade, a Farsul também acompanha o comportamento dos preços do combustível. Caso os produtores tenham de pagar valores maiores para garantir o abastecimento, os custos com preparo do solo, plantio, transporte e demais operações agrícolas poderão aumentar.
Na avaliação da entidade, uma elevação dos custos ou uma eventual redução da produção pode gerar impactos que ultrapassam as propriedades rurais, afetando a movimentação econômica dos municípios e diferentes segmentos da cadeia produtiva de alimentos.
A Federação também relaciona os relatos atuais aos problemas registrados no início do ano, quando produtores enfrentaram dificuldades para obter diesel durante o período de colheita de arroz e soja, apesar de informações sobre a existência de estoques no Estado.
Para acompanhar o cenário do mercado, a Farsul utiliza, entre outros indicadores, dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Conforme os números citados pela entidade, o diesel A comercializado no Brasil permaneceu abaixo da paridade internacional de importação durante agosto, com uma diferença que chegou a R$ 2,56 por litro.
A Farsul ressalta que esse indicador, isoladamente, não permite afirmar que exista falta de combustível no mercado. A entidade, porém, considera que a diferença entre os preços praticados no mercado interno e os valores internacionais pode reduzir a atratividade das importações e, consequentemente, diminuir a entrada de produto estrangeiro em um mercado que depende parcialmente das compras externas.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
