A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) disponibilizou o formulário para produtores interessados em solicitar autorização para o plantio antecipado de soja no Rio Grande do Sul. Mediante autorização, a semeadura poderá ser realizada a partir de 15 de setembro, antes do período estabelecido pelo calendário regular.
A medida considera as condições climáticas que têm dificultado o estabelecimento das lavouras de soja em sucessivas safras, especialmente na região de Santa Rosa. Os problemas registrados têm provocado discussões sobre a necessidade de adequação do calendário de semeadura definido no âmbito do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja.
O procedimento foi estabelecido pela Seapi em conformidade com a Portaria SDA/Mapa nº 1.124/2024, de 25 de junho de 2024. Para obter a autorização, o produtor deverá apresentar um plano de manejo da ferrugem asiática, doença provocada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e considerada uma das principais ameaças fitossanitárias à cultura.
O plano deverá indicar a metodologia de manejo integrado que será utilizada na área, incluindo práticas como a rotação de mecanismos de ação de fungicidas, utilização de produtos multissítios e alternância de ingredientes ativos. A adoção das medidas deve ocorrer, preferencialmente, com orientação de um responsável técnico.
As prescrições e os receituários agronômicos utilizados para o manejo da ferrugem asiática deverão ser mantidos pelo produtor por até dois anos.
Segundo o diretor do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi, Ricardo Felicetti, a iniciativa busca atender situações específicas enfrentadas pelos produtores e, ao mesmo tempo, produzir informações que permitam avaliar os efeitos da antecipação da semeadura.
O DDV, em conjunto com a Emater/RS-Ascar, realizará o monitoramento das lavouras submetidas ao plantio antecipado. O objetivo é verificar a pertinência de uma eventual antecipação do calendário e da adoção de diferentes zonas de plantio no Estado.
A Seapi alerta, porém, que as áreas cultivadas de forma antecipada não estarão amparadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Dessa forma, eventuais perdas ou sinistros registrados nessas lavouras não terão cobertura do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).
A solicitação pela antecipação foi apresentada principalmente por produtores da região de Santa Rosa, que enfrentaram dificuldades climáticas nas últimas safras. As condições adversas prejudicaram o estabelecimento inicial das lavouras, provocando a necessidade de replantios e impactos no desempenho das áreas cultivadas.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
