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    Início » Polícia Civil desarticula esquema de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro no RS
    Polícia

    Polícia Civil desarticula esquema de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro no RS

    Fernando KopperFernando Kopper26 de agosto de 202605 Mins Read6

    A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira, 26 de agosto, a Operação Tessera Signata, que investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento em invasão de sistemas, fraude eletrônica, compras presenciais com dados de cartões e lavagem de dinheiro.

    A operação cumpre oito mandados de prisão preventiva e 28 mandados de busca e apreensão em cinco municípios de três Estados. No Rio Grande do Sul, as ações ocorrem em Viamão, Gravataí e Balneário Pinhal. Também são cumpridas ordens em Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais, e Indaiatuba, em São Paulo. Até o momento, pelo menos seis pessoas foram presas.

    Segundo a investigação, a organização era dividida em diferentes núcleos, com funções que iam desde a obtenção ilegal de credenciais na internet até a realização das compras, transporte e posterior revenda das mercadorias.

    Credenciais eram obtidas na deep web e dark web

    Conforme a Polícia Civil, o esquema começava com um núcleo técnico localizado em Minas Gerais. Os integrantes pesquisavam ambientes da deep web e dark web em busca de credenciais de acesso a sistemas que haviam sido comprometidas e disponibilizadas ilegalmente na internet.

    A investigação aponta que, dessa maneira, os suspeitos teriam conseguido uma credencial válida de uma operadora de cartões com sede no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

    A empresa administra cartões de crédito, benefícios e cartões corporativos utilizados, entre outras finalidades, para despesas com alimentação, combustível e manutenção de veículos.

    Com a credencial, os investigados teriam acessado remotamente o sistema da empresa. Entre os dias 11 e 12 de novembro de 2025, foram identificadas 217 operações no servidor, incluindo consultas, alterações e manipulações de informações financeiras.

    A partir desses acessos, os investigadores apontam que os criminosos aumentavam artificialmente os limites disponíveis nos cartões. Os dados dos cartões e as respectivas senhas eram posteriormente repassados a integrantes do núcleo operacional no Rio Grande do Sul.

    Compras eram realizadas em estabelecimentos do RS

    De posse das informações, integrantes do grupo se deslocavam até estabelecimentos credenciados à operadora, principalmente supermercados de Novo Hamburgo e Xangri-Lá.

    Mesmo sem os cartões físicos, os suspeitos realizavam compras utilizando os dados obtidos de forma ilegal. Entre os produtos adquiridos estavam fardos de bebidas alcoólicas e equipamentos eletrônicos, principalmente caixas de som.

    Segundo a investigação, as mercadorias eram posteriormente destinadas à revenda.

    Repetição de compra levantou suspeitas

    A investigação teve início após dois integrantes do grupo serem presos em flagrante, em novembro de 2025, em Xangri-Lá.

    Na ocasião, os suspeitos teriam utilizado dados de um cartão para comprar uma caixa de som. Depois que a primeira transação foi aprovada, eles retornaram ao mesmo estabelecimento algumas horas mais tarde para adquirir outro equipamento semelhante.

    A repetição da operação chamou a atenção dos funcionários, que acionaram a Brigada Militar. Durante a abordagem, foram encontrados elementos que indicavam a utilização fraudulenta dos dados dos cartões, resultando na prisão dos dois envolvidos.

    A partir desse flagrante, a Polícia Civil passou a investigar a estrutura responsável pelas compras e identificou um grupo em aplicativo de mensagens utilizado para coordenar as ações.

    Segundo os investigadores, no grupo eram compartilhados dados de cartões, orientações sobre as compras e informações relacionadas à separação e à guarda das mercadorias.

    As notas fiscais também eram mantidas pelos integrantes. Conforme a apuração, os documentos serviam para controlar os valores obtidos com as fraudes e poderiam facilitar a revenda dos produtos, conferindo aparência de origem regular às mercadorias.

    Organização tinha núcleos com funções diferentes

    A investigação aponta a existência de dois principais núcleos na organização.

    O grupo sediado em Minas Gerais seria responsável pela parte técnica do esquema, incluindo a obtenção de credenciais vazadas, o acesso ao sistema da operadora, a alteração dos limites dos cartões e o fornecimento dos dados aos demais integrantes.

    Já o núcleo gaúcho teria concentrado as atividades operacionais, como recrutamento de pessoas, utilização dos cartões, transporte e destinação das mercadorias e movimentação dos valores obtidos.

    A Polícia Civil também identificou pessoas que, segundo a investigação, eram recrutadas para ceder contas bancárias pessoais ou empresariais. Em troca, receberiam pagamentos.

    Dinheiro era movimentado entre diferentes contas

    De acordo com a investigação, os valores provenientes das fraudes eram transferidos entre diferentes contas bancárias, fragmentados e posteriormente sacados em espécie.

    Para os investigadores, a dinâmica tinha como objetivo dificultar o rastreamento dos recursos e ocultar a origem do dinheiro.

    Além das fraudes contra a operadora de cartões, a apuração identificou indícios de que integrantes do grupo também recebiam valores provenientes de golpes praticados por terceiros.

    Os recursos passavam por diferentes contas antes de serem sacados ou novamente transferidos. A Polícia Civil investiga se essa estrutura era utilizada para dar aparência lícita aos valores obtidos por meio das atividades criminosas.

    Os materiais apreendidos durante a operação serão submetidos à análise técnica. A investigação continua para identificar outras possíveis vítimas, integrantes da organização criminosa e destinatários dos recursos.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: Correio do Povo

    Fernando Kopper

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