Enquanto a colheita das culturas de verão se aproxima do fim no Rio Grande do Sul, produtores gaúchos já iniciam o plantio das lavouras de inverno. Canola e aveia-branca começam a ganhar espaço nas propriedades rurais, impulsionadas pela liberação das áreas antes ocupadas por soja, milho, arroz e feijão.
De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, as chuvas registradas nos últimos dias ajudaram na reposição da umidade do solo, mas também dificultaram o avanço das operações de semeadura e aumentaram o risco de desuniformidade na emergência das áreas recém-implantadas.
Na cultura da canola, houve pequeno avanço no plantio, iniciado no final de abril e que deve seguir até a segunda quinzena de maio. As lavouras já implantadas apresentam predominância de germinação e desenvolvimento vegetativo, especialmente nas áreas com melhor drenagem e estrutura de solo.
A Emater/RS-Ascar observa tendência de aumento da área cultivada com canola no Estado, motivada pela busca de alternativas econômicas ao trigo e pela inserção da cultura nos sistemas de rotação de inverno.
Em 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 174.394 hectares de canola, alcançando produtividade média de 1.653 quilos por hectare e produção total de 285.481 toneladas, conforme dados do IBGE.
Na região administrativa de Ijuí, cerca de 45% da área projetada já foi semeada. As primeiras lavouras implantadas apresentam bom desenvolvimento vegetativo e estande satisfatório. Já na região de Santa Rosa, a semeadura alcança aproximadamente 30% da área prevista.
Produtores demonstram preocupação com a possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno, priorizando áreas com melhor drenagem e relevo ondulado para reduzir riscos de doenças provocadas pelo excesso de umidade.
A semeadura da aveia-branca também avança gradualmente no Estado. A expectativa é de intensificação dos trabalhos na segunda quinzena de maio, conforme ocorre a liberação das áreas de verão.
A tendência é de manutenção da área cultivada em relação à safra anterior, quando o Rio Grande do Sul plantou 393.135 hectares, com produtividade média de 2.394 quilos por hectare e produção total de 935.664 toneladas.
Segundo a Emater/RS-Ascar, produtores têm adotado postura mais cautelosa em relação aos investimentos tecnológicos, principalmente devido ao aumento nos custos de fertilizantes e demais insumos agrícolas.
No trigo, os produtores ainda estão em período de preparação das áreas. A expectativa é de redução da área cultivada em razão dos altos custos de produção, restrições de crédito rural, dificuldades na contratação de seguro agrícola e preocupação com possíveis perdas provocadas pelo El Niño.
Na safra passada, o Estado cultivou mais de 1,1 milhão de hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção superior a 3,4 milhões de toneladas.
A cultura da cevada também deve registrar redução de área. Apesar do incentivo da indústria cervejeira, a previsão de inverno mais úmido aumenta o risco de doenças, presença de micotoxinas e perdas de qualidade dos grãos, que possuem rígidos padrões para comercialização.
Enquanto isso, as culturas de verão entram na reta final da colheita. A soja já teve cerca de 95% da área colhida no Estado, estimada em mais de 6,6 milhões de hectares. A produtividade média projetada pela Emater/RS-Ascar é de 2.871 quilos por hectare.
O milho alcançou 94% da área colhida, enquanto o milho silagem chega a 93%. Já a colheita do feijão da segunda safra atingiu 37% da área cultivada, com expectativa de produtividade média de 1.401 quilos por hectare.
No arroz irrigado, a colheita praticamente foi concluída, superando 98% da área cultivada no Estado. A produtividade média estimada é de 8.744 quilos por hectare, com grãos apresentando excelente qualidade e rendimento industrial, segundo a Emater/RS-Ascar.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
