Poucos casos da ufologia brasileira atravessaram tantas décadas despertando curiosidade, debates e controvérsias quanto a história do gaúcho Artur Berlet. Passados 68 anos do desaparecimento que intrigou moradores do Norte do Rio Grande do Sul, o episódio continua sendo tratado por pesquisadores como um dos relatos mais emblemáticos da ufologia nacional, e um dos mais conhecidos do país.
O caso aconteceu em maio de 1958, no município de Sarandi, região Norte do Estado. Na época, Artur Berlet trabalhava como tratorista da prefeitura e levava uma vida simples ao lado da família. Nada indicava que seu nome se tornaria referência em livros, revistas especializadas, programas de rádio e debates sobre extraterrestres.
Segundo o relato apresentado por Berlet anos depois, tudo começou na noite de 14 de maio de 1958. Ele retornava do interior do município em direção à cidade, caminhando e pegando caronas pelo trajeto, quando passou pelas proximidades da fazenda de Dionísio Peretti, na localidade conhecida como Natalino. Foi então que avistou uma luz estranha em meio ao mato, cerca de 200 metros distante da estrada.
Movido pela curiosidade, atravessou uma cerca de arame e caminhou em direção à claridade. Conforme descreveu posteriormente, ao se aproximar percebeu que a luz vinha de um enorme objeto circular metálico, com aproximadamente 30 metros de diâmetro, em formato semelhante a “duas bandejas viradas uma sobre a outra”.
Artur Berlet afirmou que, pouco depois, viu vultos próximos ao objeto e foi atingido por um intenso feixe de luz, perdendo a consciência imediatamente.
O desaparecimento mobilizou moradores da região. Berlet ficou vários dias sem ser encontrado, gerando preocupação entre familiares e conhecidos. Quando reapareceu, apresentava sinais de cansaço e estava profundamente abalado. Conforme registros posteriores, ele teria permanecido recolhido em casa por cerca de uma semana após retornar.
O que veio depois transformaria o episódio em um dos relatos mais extraordinários da ufologia brasileira.
Berlet afirmou que havia sido levado por seres extraterrestres para um planeta chamado “Acart”, localizado a cerca de 65 milhões de quilômetros da Terra. Segundo ele, a viagem teria durado aproximadamente 38 horas em uma nave movida por energia solar.
No suposto planeta, relatou ter conhecido uma civilização altamente desenvolvida tecnologicamente, organizada socialmente e muito mais avançada do que a Terra dos anos 1950. Um dos aspectos que mais chamaram atenção dos pesquisadores foi a riqueza de detalhes descrita por Berlet.
Ele relatou construções futuristas, sistemas de transporte avançados, equipamentos semelhantes a videochamadas, dispositivos eletrônicos sofisticados e até mecanismos de observação espacial que permitiam visualizar a Terra à distância. Décadas depois, ufólogos apontariam semelhanças entre algumas tecnologias descritas por Berlet e equipamentos que só se popularizariam muitos anos mais tarde.
Outro ponto curioso do relato era a comunicação com os supostos extraterrestres. Conforme afirmou, conseguia conversar com os habitantes de Acart através do idioma alemão. Um dos seres que teria feito contato direto com ele se chamava “Acorc”.
Trechos do manuscrito produzido posteriormente por Berlet descrevem diálogos e cenas que, para muitos pesquisadores da época, eram difíceis de serem imaginadas por um trabalhador simples do interior gaúcho nos anos 1950.
Em um dos relatos mais conhecidos, Berlet descreve um equipamento semelhante a uma tela de comunicação instantânea. Segundo ele, Acorc acionou um aparelho e surgiu a imagem de uma mulher em uma espécie de vidro luminoso, mantendo uma conversa em tempo real, algo semelhante às atuais videochamadas.
A repercussão do caso cresceu nos anos seguintes. Em 1967, Artur Berlet lançou o livro “Os Discos Voadores: Da Utopia à Realidade”, onde reuniu suas experiências e descreveu detalhadamente a suposta viagem ao planeta Acart. A obra ganhou notoriedade entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros da ufologia.
Os manuscritos originais de Berlet chegaram a ultrapassar 400 páginas escritas a lápis, contendo descrições sobre tecnologia, sociedade, astronomia e hábitos dos habitantes do suposto planeta.
Com o passar das décadas, o caso passou a dividir opiniões de maneira intensa.
Ufólogos consideram o episódio um dos relatos mais impressionantes já registrados no Brasil, principalmente pela quantidade de detalhes apresentados e pelo contexto da época. Muitos argumentam que Berlet descreveu tecnologias inexistentes ou pouco conhecidas em 1958.
Já pesquisadores céticos apontam inconsistências científicas e elementos considerados fantasiosos no relato. Um dos principais questionamentos envolve a própria localização do planeta Acart e detalhes técnicos apresentados por Berlet. Em fóruns e comunidades especializadas, o caso frequentemente é tratado tanto como uma experiência ufológica marcante quanto como um fenômeno cultural e sociológico.
Mesmo assim, o episódio permanece vivo no imaginário popular do Rio Grande do Sul.
Em Sarandi, o nome de Artur Berlet ainda é lembrado como parte da história local. O caso virou tema de documentários, entrevistas, programas de rádio, debates e conteúdos especializados sobre ufologia. Familiares do gaúcho também participaram de entrevistas ao longo dos anos relembrando a repercussão que a história teve na vida da família.
Recentemente, o município prestou homenagem ao personagem central da história com a inauguração de um monumento alusivo ao caso, reforçando o reconhecimento cultural e turístico do episódio para a cidade.
Mais de seis décadas depois, o desaparecimento de Artur Berlet segue cercado de perguntas sem respostas definitivas. Para alguns, trata-se de um dos mais importantes relatos de contato extraterrestre do Brasil. Para outros, uma narrativa fantástica que atravessou gerações.
Independentemente das interpretações, o caso permanece como um dos maiores mistérios da ufologia gaúcha e uma das histórias mais intrigantes já registradas no Rio Grande do Sul.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
