A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou nesta terça-feira (2) para a alta probabilidade de desenvolvimento do fenômeno El Niño nos próximos meses. Segundo a entidade, a chance de o fenômeno se estabelecer até novembro é superior a 90%, podendo atingir 98% até o final de 2026. Os modelos climáticos indicam que o evento deverá ser de intensidade pelo menos moderada, com possibilidade de se tornar forte.
A diretora-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o cenário exige preparação por parte dos governos e setores econômicos devido aos impactos que o fenômeno pode provocar. Entre os principais efeitos esperados estão o aumento de episódios de seca, chuvas intensas e ondas de calor, tanto em áreas continentais quanto nos oceanos.
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial central e oriental. Esse aquecimento altera os padrões globais de circulação atmosférica, influenciando a distribuição das chuvas, os ventos e as temperaturas em diversas regiões do planeta.
De acordo com a OMM, mesmo episódios classificados como moderados são capazes de aumentar significativamente a probabilidade de eventos climáticos extremos. O último El Niño teve influência direta nos recordes recentes de temperatura global, contribuindo para que 2023 fosse o segundo ano mais quente já registrado e 2024 alcançasse o posto de ano mais quente da história, com temperatura média global cerca de 1,55°C acima dos níveis pré-industriais.
Dados divulgados pela organização mostram que, entre o final de abril e meados de maio, as temperaturas da superfície do mar na região monitorada do Pacífico Equatorial estavam próximas dos limites que caracterizam o início do El Niño. Além disso, as temperaturas subsuperficiais chegaram a ficar mais de 6°C acima da média histórica, sinal considerado preocupante pelos especialistas.
Embora o fenômeno costume atingir sua intensidade máxima entre novembro e fevereiro, os efeitos mais expressivos sobre a temperatura global geralmente são observados nos meses seguintes. A OMM informou que novas atualizações deverão trazer projeções mais precisas sobre a intensidade e a duração do evento.
Para o período entre junho e agosto, a previsão da entidade aponta predominância de temperaturas acima da média em praticamente todo o planeta. Esse cenário pode acelerar o surgimento de secas em algumas regiões e aumentar riscos para setores estratégicos como agricultura, recursos hídricos, energia e saúde pública.
As projeções climáticas também indicam chuvas abaixo da média durante a estação chuvosa no norte do Chifre da África, redução das precipitações de monção em partes do sul da Ásia e condições mais quentes e secas na América Central. No Hemisfério Norte, as águas mais aquecidas do Pacífico associadas ao El Niño também podem favorecer a formação de furacões no Pacífico central e oriental, enquanto tendem a reduzir a atividade ciclônica no Oceano Atlântico.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
