A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, em Joinville, Santa Catarina, revelou um histórico de ocorrências semelhantes em diferentes estados do país. A mulher, que confessou ter vivido por 14 meses com uma família catarinense se passando por uma adolescente de 12 anos, já havia sido presa em duas oportunidades no Rio Grande do Sul por utilizar a mesma estratégia para enganar autoridades e obter acolhimento institucional.
De acordo com o delegado André Mocciaro, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, Amanda foi presa preventivamente entre o final de 2021 e meados de 2022 após um caso registrado no município de Cachoeirinha. Na ocasião, ela procurou uma unidade de pronto atendimento apresentando-se como Gabrielle da Silva Ferreira, de 13 anos.
Segundo as investigações, Amanda possuía lesões pelo corpo e alegou ter sido vítima de abuso sexual. Em razão da suposta condição de vulnerabilidade, acabou sendo encaminhada para um abrigo. Posteriormente, o Ministério Público solicitou a abertura de uma investigação por estelionato. Ela foi localizada e presa na ala psiquiátrica do Hospital Presidente Vargas. Como o processo tramita sob segredo de Justiça, detalhes sobre possíveis vítimas não foram divulgados.
Dois anos depois, em 2024, Amanda voltou a ser presa no Rio Grande do Sul ao tentar aplicar um golpe semelhante no município de Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha. Na ocasião, foi autuada em flagrante pelo crime de falsidade ideológica.
Conforme o delegado Mocciaro, a estratégia consistia em procurar órgãos públicos, unidades de saúde, conselhos tutelares e delegacias para obter documentos e registros oficiais utilizando identidades falsas. Ao alegar ser menor de idade e estar em situação de risco, ela conseguia ser acolhida pela rede de proteção social.
Segundo a investigação, após conquistar a confiança das instituições e reunir documentos que sustentassem sua falsa identidade, Amanda passava a buscar famílias para acolhê-la, criando histórias de abandono e vulnerabilidade para obter vantagens.
O delegado afirma que ela produzia documentos falsificados, registrava boletins de ocorrência e reunia diferentes elementos para dar credibilidade à narrativa apresentada às autoridades e às pessoas que eram alvo dos golpes.
A mais recente prisão ocorreu na quarta-feira (3), em Joinville, após Amanda admitir que se passou por uma adolescente de 12 anos durante mais de um ano enquanto vivia com uma família da cidade. As investigações também apontam que ela teria aplicado golpes semelhantes em outros estados brasileiros, incluindo Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
O caso segue sendo apurado pelas autoridades catarinenses, que buscam identificar novas vítimas e esclarecer a extensão das fraudes praticadas pela investigada ao longo dos últimos anos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: GZH
