O Ministério Público do Rio Grande do Sul, por meio do 2º Núcleo Regional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Região Metropolitana, deflagrou nesta quarta-feira (3) a Operação Dupla Face para desarticular um esquema de falsificação de identidades que teria beneficiado integrantes de facções criminosas e foragidos da Justiça no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
A investigação aponta que o grupo utilizava registros civis de pessoas falecidas para criar identidades falsas, permitindo a emissão de documentos oficiais, abertura de empresas, ocultação de patrimônio e dificultando a localização de criminosos pelas autoridades. Um integrante de facção gaúcha é apontado como responsável pelo esquema. Também há suspeitas sobre o envolvimento de um policial militar, investigado por possível acesso indevido a sistemas e eventual repasse de informações.
A operação contou com apoio do Batalhão de Choque e da Corregedoria da Brigada Militar e integra a Operação Convergência Nacional RS 02, ação coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC) para enfrentamento das facções em todo o país.
As investigações tiveram início em Santa Catarina, após o Cartório de Registro Civil de Lages comunicar ao Ministério Público catarinense pedidos considerados atípicos de certidões de nascimento, especialmente de pessoas já falecidas. O aprofundamento das apurações revelou a existência de uma rede criminosa atuando nos dois estados, com núcleo principal localizado em Porto Alegre e na Região Metropolitana.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Canoas, Cachoeirinha e Porto Alegre. Três deles tiveram como alvo endereços ligados ao policial militar investigado, incluindo duas residências e um armário funcional em um batalhão da Brigada Militar. Outros dois mandados foram executados em uma residência e em um estabelecimento comercial vinculados ao núcleo apontado como responsável pela fraude documental.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores, mídias digitais, documentos e registros financeiros. Os investigadores também solicitaram medidas como quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, interceptações telefônicas e sequestro de bens para aprofundar a apuração e identificar outros possíveis envolvidos.
Segundo a promotora de Justiça Maristela Schneider, responsável pela investigação, o objetivo é desarticular completamente o esquema e responsabilizar todos os participantes. Já o coordenador estadual do Gaeco, Rogério Meirelles Caldas, destacou que a operação reforça o combate às organizações criminosas e está alinhada à estratégia nacional do Ministério Público para enfrentar a atuação de facções.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte e foto: Correio do Povo
