Nos últimos meses, as previsões climáticas têm indicado um cenário pouco favorável para a região Sul do país, especialmente para o Rio Grande do Sul, com a possibilidade de um novo episódio de El Niño de forte intensidade. Diante disso, o governador Eduardo Leite afirmou que o estado “nunca esteve tão preparado para lidar com a natureza como atualmente”. No entanto, dois anos após o maior desastre climático da história gaúcha, ainda há comunidades enfrentando consequências diretas da tragédia.
Em Gramado, moradores seguem convivendo com dificuldades estruturais. Casas ainda não foram totalmente entregues, famílias permanecem em abrigos improvisados e vias importantes continuam sem condições adequadas de tráfego.
Uma das principais ruas de acesso ao centro da cidade permanece destruída, obrigando moradores a realizarem trajetos até três vezes mais longos. A rotina tem sido marcada por obstáculos diários. “Quando a gente tem que ir ao mercado, fruteira, farmácia, a gente desce ali, faz todo esse trajeto e vamos escalando”, relatou uma moradora. A empreendedora Cleusa Machado também descreveu os transtornos: “Eu saio para trabalhar todo dia de manhã, já caí umas 10 vezes, mas continuo”.
O sentimento de abandono é recorrente entre os moradores. “Parece que fomos um bairro esquecido aqui. Ninguém procura nós, ninguém fala nada”, afirmou a aposentada Marina de Freitas Santos.
Diante da situação, a prefeitura anunciou investimento superior a R$ 43 milhões para a recuperação da área. De acordo com o Executivo municipal, 35 lotes foram desapropriados, sendo que 34 proprietários aceitaram indenização e um ainda discute os termos na Justiça. Até o momento, R$ 8,3 milhões foram pagos a 25 famílias, enquanto outras nove aguardam regularização documental.
Segundo a administração municipal, o primeiro ano após o desastre foi destinado ao monitoramento da área, com estudos sobre movimentação do solo. No segundo ano, foi elaborado o projeto técnico e encaminhado ao governo federal para captação de recursos.
A previsão é de que o edital de licitação para contratação da empresa responsável seja publicado na segunda quinzena de maio, com início das obras previsto para a segunda quinzena de junho. O investimento contempla intervenções de contenção, pavimentação e iluminação.
Enquanto isso, a área segue sendo monitorada continuamente. “É feito o controle da movimentação do solo e da pressão da água no subsolo”, explicou o engenheiro Luiz Antônio Bressani.
Para os moradores, a expectativa é pela retomada da normalidade. “Ver a gente passar, todo mundo faceiro, alegre, abanando a mão, sendo feliz. É o que eu sonho”, disse a aposentada Palmira.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Foto: Reprodução
Fonte: Notícias RS/G1 RS
