Um homem de 25 anos foi condenado a 18 anos e 8 meses de prisão, em regime inicial fechado, pelo feminicídio da própria mãe, Liliane Maria Pimentel, de 46 anos, no município de Estação, no Norte do Rio Grande do Sul. A vítima foi morta com 17 golpes de faca, sendo 12 deles pelas costas. O julgamento ocorreu na segunda-feira (19), no Tribunal do Júri de Getúlio Vargas.
A condenação foi resultado de denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do promotor de Justiça Fabricio Allegretti. Durante o julgamento, a acusação foi sustentada pelo promotor de Justiça João Augusto Follador. Os jurados acolheram integralmente a denúncia e reconheceram a autoria e a materialidade do crime, além de quatro qualificadoras.
Entre as qualificadoras reconhecidas estão o feminicídio e o motivo fútil, relacionado, conforme a acusação, a ciúmes e à intolerância do réu em relação à vida pessoal e aos relacionamentos afetivos da mãe. Também foi reconhecido que o crime teria sido cometido para assegurar a execução de outro delito, pois, segundo o Ministério Público, o homem atacou Liliane quando ela tentou intervir para proteger uma terceira pessoa que estava sendo agredida com uma arma branca.
A quarta qualificadora foi o recurso que dificultou a defesa da vítima. Liliane foi surpreendida dentro da própria residência e atingida pelas costas.
O crime ocorreu durante a madrugada de um sábado, no bairro Santana, em Estação, onde a mulher morava com o filho. Acionada, a Brigada Militar encontrou a vítima sem vida, com diversos ferimentos provocados por faca. Nas primeiras diligências, o filho e outro homem, que mantinha um relacionamento com Liliane, passaram a ser investigados.
Na chegada dos policiais, o filho estava sobre o corpo da mãe, e uma faca foi encontrada nas proximidades. Naquele momento, ainda não havia confirmação sobre quem havia desferido os golpes. O outro homem foi localizado posteriormente e também portava uma arma branca. Os dois chegaram a ter a prisão temporária decretada durante a investigação.
O histórico de conflitos entre mãe e filho também foi considerado no contexto do caso. Liliane havia registrado ocorrências envolvendo agressões e, em 2022, solicitou uma medida protetiva contra ele. A determinação foi cumprida, mas já não estava em vigor quando ocorreu o feminicídio. Segundo relatos de familiares divulgados na época, a vítima mencionava agressões frequentes e ameaças.
Durante o julgamento, a defesa apresentou teses de inimputabilidade e semi-imputabilidade do acusado, mas ambas foram rejeitadas pelos jurados. Diante de informações sobre um quadro de esquizofrenia, a magistrada determinou que o condenado passe por avaliação médica psiquiátrica e receba acompanhamento e tratamento especializado no estabelecimento prisional.
A prisão preventiva foi mantida para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal. Com isso, o condenado não poderá recorrer da sentença em liberdade. Liliane foi sepultada no Cemitério Municipal de Estação.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Rádio Uirapuru
