Cerca de 400 profissionais da educação participaram, nesta quarta-feira (12), do I Fórum Municipal de Alfabetização e I Fórum Regional de Alfabetização, realizado na Casa de Cultura Justino Martins, em Cruz Alta. Promovido pela Prefeitura de Cruz Alta, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), em correalização com a 9ª Coordenadoria Regional de Educação (9ª CRE), o evento teve como tema “Alfabetização e Equidade: compromisso coletivo com as metas do PNE”.
O encontro reuniu professores, gestores, coordenadores pedagógicos e profissionais das redes municipal e estadual para um dia dedicado à formação e ao debate sobre os desafios da alfabetização. A programação também destacou a importância da articulação entre diferentes municípios e redes de ensino para o fortalecimento das políticas de alfabetização na região.
Na abertura, o ex-secretário da Educação do Ceará, Rogers Mendes, ministrou a palestra “Alfabetizar com Equidade: um compromisso ético, social e pedagógico”. Em sua apresentação, Mendes abordou a relação entre alfabetização e equidade e propôs uma reflexão sobre os motivos pelos quais escolas inseridas em contextos socioeconômicos semelhantes podem apresentar resultados diferentes no processo de alfabetização.
A partir do conceito de “efeito-escola”, o palestrante destacou fatores relacionados à liderança e à gestão pedagógica, às práticas de ensino, à cultura e ao clima escolar e ao uso de dados para o acompanhamento da aprendizagem.
Mendes também ressaltou a necessidade de uma gestão pedagógica em rede, articulando currículo, avaliação diagnóstica, acompanhamento pedagógico, materiais didáticos e formação continuada de professores, diretores e coordenadores pedagógicos. Outro ponto destacado foi a importância do acompanhamento individualizado da aprendizagem e do suporte aos estudantes que necessitam de maior atenção.
Debates abordaram políticas e práticas educacionais
Durante a manhã, o Painel I, com o tema “Plano Municipal de Educação: das metas às ações – o desafio de alfabetizar com qualidade”, contou com Sandra Mariz Negrini, de Caxias do Sul, como painelista. A mediação foi realizada por Oscar Oliveira, da SME de Cruz Alta, com participação das debatedoras Neli Ester Almeida Menna Barreto, do Plano Municipal de Educação, e Maristela Silva dos Santos, da SME de Cruz Alta.
Na sequência, o Painel II abordou o tema “BNCC Computacional: muito além da tecnologia – pensamento computacional desde a infância”. A discussão teve como painelista Fabrício Soares, de Cruz Alta, mediação de Moisés Quevedo, da SME, e participação das debatedoras Patricia Vesz, da SME de Cruz Alta, e Karine Bueno do Nascimento, da EMEF Carlos Gomes.
No período da tarde, os debates foram direcionados a temas relacionados à inclusão e às políticas de alfabetização em regime de colaboração. O painel “Educação Inclusiva e Alfabetização: políticas, práticas e garantia de direitos” teve como painelista Claudia Feijó da Silva Fraga, da SEDUC de Porto Alegre. A mediação foi realizada por Izabel Cristina Vieira Martins, da SME de Cruz Alta, com participação de Fatima Terezinha Lopes da Costa, da SME, e Ana Paula Zorzi, da 9ª CRE.
Encerrando os painéis, o tema “Renalfa e Alfabetiza Tchê: Regime de colaboração – desenvolvimento territorial da política de alfabetização” foi apresentado por Leony Cananéa Marques, da SEDUC de Porto Alegre, com participação da especialista convidada Luciana Piccoli, da UFRGS. A mesa foi mediada por Ana Lúcia Freitas da Rosa Silva, da 9ª CRE, com participação das debatedoras Daniela Castelli Siqueira, da 9ª CRE, e Maristela Silva dos Santos, da SME de Cruz Alta.
Neurociência e alfabetização
Outro destaque da programação foi a palestra “Como o Cérebro Aprende – evidências científicas que transformam e ressignificam a alfabetização”, conduzida pela pedagoga e especialista em Neurociência na Educação e Neuroalfabetização, Francineli Marques Drum da Silva.
A especialista abordou os processos cerebrais envolvidos na aprendizagem da leitura e destacou como as evidências científicas podem contribuir para qualificar as práticas de alfabetização.
Segundo Francineli, aprender a ler exige a integração de diferentes redes cerebrais e o processo começa antes da alfabetização formal, envolvendo o desenvolvimento da percepção visual e sonora, da consciência fonológica e da ampliação do vocabulário.
Durante a apresentação, também foram realizadas atividades práticas relacionadas ao reconhecimento de rimas, consciência silábica e aprendizagem das vogais, reforçando a importância de experiências que estimulem a criança a ver, ouvir, falar e manipular.
Cultura também fez parte da programação
O Fórum contou ainda com momentos culturais. Entre eles esteve a apresentação “O Tempo e o Vento”, realizada pelo Grupo Teatral Máschara.
Também foi apresentado o momento “Gibi do Erico: um legado que dialoga com o presente e fortalece a alfabetização”, conduzido por Kleber Lorenzoni, coordenador de eventos de Cruz Alta, escritor e diretor do Grupo Teatral Máschara.
Carta de compromisso regional
Um dos momentos de destaque foi a instalação do Fórum Municipal e do Fórum Regional de Alfabetização, seguida da assinatura da Carta de Compromisso Regional pela Alfabetização na Idade Certa.
A iniciativa reforça a compreensão de que a alfabetização é uma responsabilidade compartilhada e que a cooperação entre municípios, redes de ensino e profissionais da educação é fundamental para o cumprimento das metas relacionadas à aprendizagem das crianças.
Ao reunir profissionais de diferentes municípios e das redes municipal e estadual, o I Fórum Municipal e I Fórum Regional de Alfabetização consolidou Cruz Alta como espaço de diálogo e formação regional, fortalecendo a construção coletiva de estratégias voltadas à garantia do direito à alfabetização e à aprendizagem de todas as crianças.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
