O valor de referência projetado para o leite no Rio Grande do Sul em setembro de 2026 é de R$ 2,3910 por litro. A previsão foi divulgada nesta terça-feira, 29 de setembro, pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) e representa uma redução de 0,90% em relação ao valor projetado para agosto, que havia sido de R$ 2,4128. A estimativa considera os dados de comercialização dos primeiros 20 dias de setembro.
O valor consolidado de agosto ficou em R$ 2,4189 por litro, uma queda de 1,39% em comparação com julho, quando a referência havia sido estabelecida em R$ 2,4529.
Os indicadores são elaborados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), a partir de dados de comercialização fornecidos pelas indústrias do setor. A partir deste mês, os valores passam a utilizar oficialmente os parâmetros atualizados em 2025 pela Câmara Técnica (Camatec).
Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, a preocupação do setor está relacionada não apenas à redução do preço do leite, mas também à diminuição das margens ao longo da cadeia produtiva. Entre os fatores apontados estão o aumento da oferta de leite no campo, o volume elevado de importações e a sinalização de queda nos preços dos derivados. As condições climáticas também vêm afetando a produção e a logística.
Durante a reunião, o Conseleite também discutiu os impactos dos temporais registrados recentemente no Rio Grande do Sul. Os eventos provocaram danos em lavouras e estruturas, além de dificultarem o acesso às propriedades rurais e o transporte do leite.
A disponibilidade e o custo do diesel também foram citados como fatores que pressionam os custos de produção e logística da cadeia leiteira.
Diante das dificuldades de acesso provocadas pelos temporais, o Conseleite decidiu buscar junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma flexibilização temporária da regra que estabelece prazo de 48 horas para a coleta do leite.
Atualmente, empresas que realizam a coleta fora desse período podem ser multadas. A medida busca evitar perdas de produção em propriedades afetadas pelas condições climáticas. O Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat) já vem tratando da flexibilização da regra junto ao Mapa.
O Conseleite deverá solicitar uma medida excepcional semelhante à adotada em 2024, diante das dificuldades enfrentadas pelo setor em razão dos temporais.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
