A colheita da soja no Rio Grande do Sul alcançou 50% da área cultivada na safra 2025/2026, estimada em 6.624.988 hectares, conforme dados do Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar. O avanço ocorre de forma irregular devido à recorrência de chuvas com volumes desiguais entre as regiões, o que mantém elevada a umidade no solo e nas plantas, dificultando o acesso às lavouras e provocando interrupções frequentes nas operações.
Atualmente, predominam áreas em fase de maturação (36%), enquanto 14% das lavouras ainda estão em enchimento de grãos e floração, refletindo diferentes períodos de semeadura. A produtividade apresenta grande variação, tanto entre regiões quanto dentro de um mesmo município, influenciada principalmente pela irregularidade das chuvas durante o ciclo, especialmente no período crítico de enchimento de grãos. Em áreas com melhor distribuição hídrica e manejo tecnificado, os rendimentos são considerados satisfatórios, enquanto nas áreas mais afetadas há perdas expressivas, com registros de produção abaixo do custo em algumas propriedades. A média estadual está estimada em 2.871 kg por hectare.
Milho se aproxima do fim da colheita e mantém boa produtividade média
A colheita do milho avança para a fase final e já atinge 86% da área cultivada no Estado, que soma 803.019 hectares. Restam principalmente lavouras implantadas fora da janela ideal, onde a reposição de umidade tem contribuído para manter o potencial produtivo, mesmo após impactos anteriores causados por estiagem e altas temperaturas durante o período reprodutivo.
A produtividade média estadual é estimada em 7.424 kg por hectare, com grãos de boa qualidade. Apesar disso, há registros pontuais de perdas associadas ao atraso na colheita e à elevada umidade. Em áreas ainda em desenvolvimento, sobretudo da safrinha, persistem riscos fitossanitários, como incidência de pragas e maior suscetibilidade a doenças.
Milho para silagem enfrenta dificuldades operacionais, mas mantém qualidade
A colheita do milho destinado à silagem chegou a 83% dos 345.299 hectares cultivados. O avanço foi limitado pela umidade excessiva, que dificultou tanto o corte quanto o processo de armazenamento nos silos.
Nas áreas remanescentes, as lavouras estão em enchimento de grãos e apresentam bom estado vegetativo, embora com porte inferior ao ideal devido à falta de água em fases anteriores. Por outro lado, a reposição hídrica recente tem favorecido a manutenção da qualidade da forragem. A produtividade média está estimada em 37.840 kg por hectare.
Feijão apresenta cenários distintos entre safras no Estado
A colheita do feijão da primeira safra está concluída no Rio Grande do Sul, incluindo a região dos Campos de Cima da Serra, responsável por cerca de 40% da área cultivada. Nessa região, as condições climáticas adversas durante a fase reprodutiva impactaram negativamente os rendimentos, com registros de produtividade em torno de 1.200 kg por hectare em alguns municípios. A média estadual é estimada em 1.781 kg por hectare, em uma área total de 23.029 hectares.
Já o feijão da segunda safra, cultivado em uma área de 11.690 hectares, apresenta bom desenvolvimento. As condições de umidade do solo e temperaturas elevadas têm favorecido o enchimento de grãos e a formação de vagens. A colheita avança gradualmente nas áreas mais adiantadas, e a expectativa é de desempenho satisfatório, com produtividade média projetada em 1.401 kg por hectare.
Arroz avança com boa qualidade, apesar da umidade elevada
A colheita do arroz atingiu 74% da área cultivada de 891.908 hectares, segundo o Instituto Riograndense do Arroz. As operações sofreram leve desaceleração devido à alta umidade do solo e dos grãos, que reduziu a janela de trabalho no campo.
De forma geral, os rendimentos são considerados satisfatórios, e os grãos apresentam boa qualidade, com elevados índices de rendimento industrial. A produtividade média está estimada em 8.744 kg por hectare, e as lavouras restantes já se encontram maduras, indicando proximidade do encerramento da colheita.
Pastagens e pecuária enfrentam transição e desafios climáticos
O período é marcado pela transição entre as pastagens de verão e a implantação das espécies de inverno. Embora ainda haja oferta de forragem, a qualidade nutricional está em queda. As chuvas recentes têm sido fundamentais para o desenvolvimento inicial das pastagens hibernais, impactando diretamente o planejamento alimentar dos rebanhos.
Na bovinocultura de corte, o cenário é de estabilidade, com manutenção das condições corporais dos animais, apesar do calor e da umidade elevadas, que exigem ajustes no manejo. Há preocupação com possíveis impactos reprodutivos, especialmente em regiões como Caxias do Sul.
Na produção leiteira, algumas regiões registram queda na produtividade, principalmente em sistemas dependentes de pastagens. O estresse térmico e a irregularidade das chuvas têm afetado o desempenho dos animais, levando produtores a intensificarem o uso de silagem e ajustes na alimentação. Ainda assim, a qualidade da silagem de milho nesta safra tem se destacado positivamente, contribuindo para reduzir custos e melhorar a nutrição dos rebanhos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
