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    Início » Alta do diesel deve gerar impacto de R$ 612 milhões no agro do RS e pressionar preços de alimentos, aponta Farsul
    Agronegócio

    Alta do diesel deve gerar impacto de R$ 612 milhões no agro do RS e pressionar preços de alimentos, aponta Farsul

    Fernando KopperFernando Kopper16 de abril de 202603 Mins Read9

    A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul divulgou nesta quarta-feira (15) um estudo técnico que detalha os efeitos da alta do diesel sobre o agronegócio gaúcho. O levantamento aponta que o aumento nos preços do combustível, impulsionado por tensões no Oriente Médio, deve gerar um custo adicional de R$ 612,2 milhões aos produtores do Rio Grande do Sul.

    De acordo com a entidade, o preço do diesel no estado teve elevação entre 21% e 24%, impactando diretamente os custos operacionais das máquinas agrícolas e o frete das safras. O prejuízo se distribui de forma desigual entre as principais culturas.

    A soja concentra o maior impacto absoluto, com custo adicional estimado em R$ 313,9 milhões, reflexo da grande área cultivada no estado. Em seguida, aparecem o arroz, com impacto de R$ 170,9 milhões, o trigo, com R$ 48,2 milhões, e o milho, com R$ 47 milhões.

    O estudo divide os efeitos em duas frentes principais. As operações mecânicas no campo, que incluem o uso de tratores e colheitadeiras, devem representar um aumento de R$ 412,2 milhões nos custos. Já o frete agrícola, responsável pelo transporte da produção até armazéns e portos, deve gerar um impacto adicional de R$ 200 milhões.

    Segundo a Farsul, o diesel deixou de ser apenas um insumo operacional para se tornar um dos principais fatores de risco em 2026. A instabilidade internacional, com destaque para os conflitos envolvendo o Irã e o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, é apontada como o principal gatilho para a disparada dos preços.

    Mesmo sem anúncios frequentes de reajustes por parte da Petrobras no início do período, a volatilidade do mercado global pressionou os valores no Brasil, afetando diretamente a competitividade do produtor rural.

    A entidade também alerta para um efeito cascata na economia. O aumento dos custos de produção e transporte tende a chegar ao consumidor final, pressionando os preços dos alimentos e contribuindo para a inflação.

    Esse cenário pode dificultar a redução da taxa básica de juros, a Selic, pelo Banco Central, além de elevar o custo do crédito rural para a safra 2026/27. Com os preços das commodities estáveis ou sob pressão, a margem de lucro do produtor tende a diminuir.

    O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, avalia que o momento é de alta volatilidade e exige cautela. Segundo ele, o planejamento financeiro dos produtores gaúchos será um dos principais desafios ao longo do ano.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper

    Fernando Kopper

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