A colheita da soja no Rio Grande do Sul alcançou 50% da área cultivada, conforme aponta o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar. O avanço ocorre de forma irregular, condicionado por curtas janelas de tempo seco registradas principalmente nos dias 6, 11 e 12 de abril.
De acordo com o levantamento, a recorrência de chuvas ao longo do período, ainda que com volumes distintos entre as regiões, manteve elevada a umidade do solo e das plantas. Essa condição dificultou a entrada de máquinas nas lavouras e provocou interrupções frequentes nas operações de colheita. Atualmente, 36% das áreas estão em fase de maturação, enquanto 14% ainda se encontram em enchimento de grãos e floração.
Além do ritmo lento, produtores enfrentam perdas graduais na qualidade dos grãos. Há registros de retenção foliar, presença de grãos verdes e aumento de impurezas, fatores diretamente ligados à colheita em condições de alta umidade. As produtividades variam conforme a região e até mesmo dentro dos municípios, reflexo da irregularidade das chuvas ao longo do ciclo produtivo. Em áreas com melhor distribuição hídrica e manejo adequado, os rendimentos seguem satisfatórios, enquanto outras registram perdas e resultados abaixo do custo de produção.
No aspecto fitossanitário, o excesso de umidade também prejudicou a aplicação de inseticidas e fungicidas em lavouras tardias. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 2.871 kg por hectare, em uma área cultivada de 6.624.988 hectares.
Situação nas regiões
Na região administrativa de Bagé, na Fronteira Oeste, a colheita atinge 22%, com 55% das lavouras em maturação e 24% em enchimento de grãos. As precipitações entre 150 mm e 200 mm aumentaram a preocupação com perdas, principalmente em áreas de várzea. Em São Borja, cerca de 25% dos 105 mil hectares foram colhidos, com produtividades entre 900 e 1.500 kg/ha, levando produtores a acionarem mecanismos de cobertura de risco. Já na Campanha, a colheita segue abaixo de 10%, com predominância de lavouras em enchimento, e a dessecação tem sido utilizada para uniformizar a maturação.
Na região de Caxias do Sul, os trabalhos chegaram a ser interrompidos temporariamente, sendo retomados posteriormente com produtividade abaixo da expectativa inicial, impactada pelo déficit hídrico e pelas altas temperaturas no início do ano. Em Erechim, cerca de 60% da área foi colhida, com previsão de conclusão até o fim de abril, enquanto em Frederico Westphalen o índice chega a 55%, com média próxima de 3.100 kg/ha.
Na região de Ijuí, a colheita alcança 65%, mas avança lentamente devido às condições climáticas, com produtividade média também em torno de 3.100 kg/ha e tendência de queda. Em Passo Fundo, 55% da área foi colhida, com média de 3.500 kg/ha. Já em Pelotas, predominam lavouras em enchimento de grãos e maturação, e apenas 18% da área foi colhida.
Na região de Santa Maria, o avanço é desigual entre os municípios. Em São Francisco de Assis, 34% da área foi colhida, enquanto em Tupanciretã o índice se aproxima de 45%. As produtividades variam entre 1.800 e 4.200 kg/ha, com perdas mais acentuadas em áreas semeadas precocemente. Em Santa Rosa, a colheita atingiu 51% da área, com ampla variação de rendimento, entre 900 e 4.800 kg/ha, e relatos de aumento de impurezas. Em Soledade, cerca de 60% da área já foi colhida, com média de 2.900 kg/ha, enquanto lavouras tardias ainda passam por tratamentos fitossanitários.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
