A ocorrência de chuvas frequentes durante a fase reprodutiva do trigo aumenta o risco de doenças fúngicas que podem comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos. Temperaturas amenas a moderadas, umidade elevada, neblina e orvalho intenso favorecem o desenvolvimento de patógenos, especialmente durante o espigamento e o enchimento dos grãos.
Entre as principais doenças que exigem atenção dos produtores estão a giberela, também conhecida como fusariose da espiga, a brusone, as ferrugens da folha e do colmo, as manchas foliares e o oídio. Além de provocar perdas na produção, essas doenças podem reduzir o peso hectolítrico e comprometer a qualidade industrial do trigo. Em determinadas condições, também há risco de contaminação por micotoxinas, especialmente quando o armazenamento dos grãos ocorre de forma inadequada.
O período reprodutivo é considerado especialmente sensível, pois compreende etapas fundamentais para a definição do rendimento da cultura. Na região Sul, parte das lavouras permanece nessa fase entre agosto e dezembro, período em que a frequência das chuvas pode dificultar o manejo fitossanitário e exigir ajustes no planejamento das aplicações de fungicidas.
O engenheiro agrônomo Ubirajara Fontoura destaca a importância de definir corretamente a densidade de sementes no momento da semeadura. Para isso, o produtor deve considerar o poder germinativo, o peso de mil sementes, as características da cultivar e o nível de fertilidade natural do solo. Outro cuidado importante é realizar a adubação nitrogenada de cobertura de forma adequada, evitando o desenvolvimento vegetativo excessivo.
A presença de resíduos culturais, o histórico de doenças na propriedade e a suscetibilidade das cultivares também precisam ser considerados no planejamento da safra.
A prevenção deve começar antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas. A escolha de cultivares adaptadas às condições regionais, a definição da época de semeadura e a rotação de culturas são medidas que ajudam a reduzir a exposição das lavouras a condições favoráveis às infecções.
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) também pode auxiliar na tomada de decisões, oferecendo referências para o planejamento da semeadura conforme as condições de cada região. Durante o desenvolvimento da cultura, o monitoramento frequente das folhas superiores e das espigas permite acompanhar a evolução das doenças e ajustar as estratégias de controle.
As previsões meteorológicas e os modelos de risco disponíveis em boletins técnicos contribuem para orientar as intervenções, especialmente quando associados ao histórico fitossanitário da propriedade e ao nível de resistência da cultivar utilizada.
O uso de fungicidas integra as estratégias de manejo, mas não deve ser considerado uma medida isolada. O planejamento das aplicações precisa levar em conta as condições climáticas, o estágio de desenvolvimento do trigo e a pressão das doenças. As aplicações devem seguir as recomendações de rótulo e bula, com receituário agronômico e acompanhamento de profissional legalmente habilitado.
Em períodos de elevada pluviosidade, a integração entre planejamento da semeadura, escolha de cultivares, adubação adequada, monitoramento e controle fitossanitário torna-se fundamental para reduzir os impactos das doenças, preservar a qualidade dos grãos e proteger o potencial produtivo do trigo até a colheita.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
