A Justiça do Rio Grande do Sul marcou para o dia 29 de junho o julgamento dos três policiais militares acusados de matar o jovem Gabriel Marques Cavalheiro. A decisão é da juíza Liz Grachten, da Vara Criminal de São Gabriel. O júri será realizado no Salão do Júri do Foro da Comarca, a partir das 8h30.
Os soldados Cléber Renato Ramos de Lima e Raul Veras Pedroso, além do segundo-sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Os três estão presos preventivamente desde 23 de agosto de 2022.
O caso ganhou grande repercussão no Estado. Em novembro do ano passado, a Corregedoria-Geral da Brigada Militar decidiu pela exclusão dos três policiais do quadro da corporação após a conclusão de Conselho de Disciplina.
A defesa dos réus, representada pelo advogado Jean Severo, afirma que aguarda o julgamento com serenidade e sustenta a inocência dos acusados. Segundo ele, há inconsistências na narrativa acusatória e elementos periciais que indicariam a impossibilidade material de participação dos policiais no crime. A defesa também destaca que os réus foram absolvidos, na Justiça Militar, da acusação de ocultação de cadáver.
Já a família de Gabriel afirma que o julgamento representa um momento decisivo na busca por justiça e reforça a necessidade de responsabilização. Em nota, os familiares destacaram que o caso evidencia a gravidade de práticas abusivas por parte de agentes estatais e defendem que situações como essa não podem ser toleradas.
Relembre o caso
Gabriel tinha 18 anos e foi encontrado morto em um açude na localidade de Lava Pé, em São Gabriel, uma semana após desaparecer. Segundo a denúncia, ele havia sido abordado por policiais militares na Avenida Sete de Setembro, no dia 12 de agosto de 2022.
Testemunhas relataram que o jovem foi agredido com golpes de cassetete durante a abordagem e, posteriormente, colocado em uma viatura. A ação chegou a ser registrada em vídeo. Aquela foi a última vez em que Gabriel foi visto com vida.
O jovem havia se mudado de Guaíba para São Gabriel, onde pretendia prestar o serviço militar obrigatório. O corpo foi localizado submerso dias depois, e, no mesmo dia, os três policiais suspeitos foram presos.
O julgamento deve reunir familiares, representantes da acusação e da defesa, além de mobilizar atenção pública diante da repercussão do caso no Estado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: G1 RS
