Relatos de dificuldade na compra de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul levaram a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a intensificar o monitoramento do abastecimento do combustível no estado. Apesar das reclamações, a agência reguladora afirmou que não há risco de desabastecimento no momento.
De acordo com a ANP, contatos foram feitos com os principais fornecedores da região ao longo do fim de semana, dias 7 e 8 de março, para verificar a situação do mercado. Segundo o órgão, os dados indicam que o estado possui estoques suficientes para garantir o abastecimento regular de diesel.
“Ao longo deste fim de semana, a Agência entrou em contato com os principais fornecedores da região e apurou que o estado do Rio Grande do Sul conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel”, informou a ANP em comunicado.
A agência também destacou que a produção e a entrega de diesel seguem em ritmo normal pelo principal polo de refino do estado, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap).
O comunicado reforça ainda que o Rio Grande do Sul produz mais diesel do que consome e mantém níveis considerados regulares de estoque. Até o momento, técnicos da ANP não identificaram justificativas técnicas ou operacionais que expliquem eventuais recusas de fornecimento relatadas por produtores rurais.
Diante da situação, a agência informou que distribuidoras de combustíveis serão formalmente notificadas para prestar esclarecimentos sobre o volume de combustível disponível em estoque, além de detalhar os pedidos recebidos e os efetivamente atendidos.
“Caso seja necessário, a Agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país”, destacou a nota.
A ANP também alertou que eventuais aumentos de preços considerados injustificados poderão ser investigados em conjunto com órgãos de defesa do consumidor.
Tensão no mercado internacional
As dificuldades relatadas por produtores gaúchos ocorrem em um momento de tensão no mercado global de energia, provocado pela escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira (9), os contratos futuros do petróleo Brent com vencimento em maio de 2026 registraram alta de 8%, chegando a US$ 100,12 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou 7,7%, alcançando US$ 97,78 por barril.
A valorização do petróleo ocorre em meio ao temor de interrupções no fornecimento global e riscos à navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte de petróleo no mundo.
Para o sócio da Markestrat Group, José Carlos de Lima Jr., o cenário pode indicar um dos maiores choques de oferta já registrados no mercado de energia.
“Os mercados já recorrem aos próprios estoques. Ainda assim, a disparada do petróleo e de seus derivados tende a elevar os custos industriais com energia, alimentos e transporte”, avaliou.
Segundo o especialista, a instabilidade também pode impactar o transporte marítimo internacional, com embarcações sendo obrigadas a aguardar rotas mais seguras ou disponibilidade em portos, o que pode gerar novos efeitos sobre os preços e a logística global.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
