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    Início » Vacinação contra HPV reduz em até 67% lesões pré-cancerosas em mulheres jovens no Brasil
    Saúde

    Vacinação contra HPV reduz em até 67% lesões pré-cancerosas em mulheres jovens no Brasil

    Fernando KopperFernando Kopper7 de outubro de 202502 Mins Read9

    Um estudo conduzido entre 2019 e 2023 com dados do Sistema Único de Saúde (SUS) avaliou mais de 60 milhões de mulheres, com idades entre 20 e 24 anos, e revelou que a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) reduziu em 58% os casos de câncer do colo do útero e em 67% as lesões pré-cancerosas graves (NIC3). A pesquisa envolveu cientistas da Fiocruz, com apoio da Royal Society e do CNPq, e foi publicada pela revista científica The Lancet.

    Os resultados mostram que o efeito da vacina é consistente mesmo antes da idade de rastreamento recomendada, aos 25 anos, confirmando o imunizante como uma das estratégias mais eficazes de saúde pública para salvar vidas e reduzir desigualdades no acesso à prevenção do câncer.

    Segundo os pesquisadores da Fiocruz Bahia, Thiago Cerqueira-Silva, Manoel Barral-Netto e Viviane Sampaio Boaventura, “o impacto observado no Brasil confirma que a vacinação contra o HPV é eficaz não apenas em países de alta renda, mas também em contextos com recursos limitados. Esse é um passo fundamental rumo à eliminação global do câncer do colo do útero”.

    Desde 2014, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece a vacina gratuitamente pelo SUS. Em 2024, o país adotou o esquema de dose única, e em 2025, novas diretrizes ampliaram a vacinação para adolescentes de 15 a 19 anos, além de grupos prioritários, como usuários de PrEP, imunossuprimidos e pacientes com papilomatose respiratória recorrente.

    O câncer do colo do útero ainda é o segundo mais comum entre mulheres brasileiras e uma das principais causas de mortalidade feminina. Estima-se que 50% a 70% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV em algum momento da vida. A vacina protege contra até 98% dos tipos oncogênicos mais perigosos.

    O imunizante é indicado para: meninas e meninos de 9 a 14 anos; mulheres e homens que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos entre 9 e 45 anos; e vítimas de abuso sexual imunocompetentes de 15 a 45 anos que não tenham completado o esquema vacinal.

    A pesquisa reforça que a vacinação é a medida mais eficaz para prevenção da infecção pelo HPV, contribuindo para reduzir desigualdades em saúde e aproximar o Brasil da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: Correio do Povo

    Fernando Kopper

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