A vacinação contra a dengue passa a ser ofertada, a partir deste mês, em todos os municípios do Rio Grande do Sul. A ampliação segue decisão recente do Ministério da Saúde e mantém como público-alvo crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, que devem receber duas doses do imunizante, com intervalo de três meses entre a primeira e a segunda aplicação.
Até então, a estratégia de vacinação estava restrita a regiões específicas do Estado, abrangendo 145 municípios selecionados com base no histórico de casos da doença. Com a nova medida, a imunização passa a alcançar todo o território gaúcho, beneficiando cerca de 630 mil crianças e adolescentes que se encontram dentro da faixa etária definida pelo programa.
A Secretaria da Saúde (SES) orienta que pais e responsáveis acompanhem as informações divulgadas pelas prefeituras sobre datas, locais e horários de vacinação. A pasta reforça que a imunização é uma ferramenta essencial de prevenção, especialmente quando associada às ações permanentes de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus.
A distribuição das vacinas aos municípios tem início nesta primeira semana de fevereiro, por meio do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs). Neste primeiro momento, serão distribuídas 61 mil doses que já estão disponíveis em estoque na Secretaria da Saúde. Novas remessas serão encaminhadas gradualmente aos municípios, conforme a liberação de novos lotes pelo Ministério da Saúde. A definição dos locais e das datas de início da vacinação ficará a cargo de cada prefeitura, após o recebimento do quantitativo destinado ao município.
O esquema vacinal prevê duas doses para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, com intervalo de três meses entre elas, conforme orientação do Ministério da Saúde.
A estratégia nacional de vacinação contra a dengue foi lançada em maio de 2024. Desde então, o Rio Grande do Sul recebeu aproximadamente 262 mil doses do imunizante. Inicialmente, a vacinação foi direcionada a seis municípios da Região Metropolitana, incluindo Porto Alegre, escolhidos a partir do número de casos registrados ao longo da última década. Com a ampliação da oferta de vacinas em nível nacional, o número de municípios contemplados foi gradualmente expandido até chegar aos 145 que integravam a estratégia antes da ampliação para todo o Estado.
Conforme os dados mais recentes, referentes a dezembro de 2025, cerca de 168 mil doses já haviam sido aplicadas nos municípios que participavam da estratégia até então. Desse total, aproximadamente 120 mil correspondem à primeira dose e 48 mil à segunda dose. Os números reforçam a importância de que crianças e adolescentes que iniciaram o esquema vacinal retornem para completar a segunda dose, etapa considerada fundamental para garantir proteção adequada e duradoura contra a dengue.
O Rio Grande do Sul enfrentou, em 2024, o pior cenário da dengue em sua série histórica, com 209 mil casos confirmados e 281 óbitos. Em 2025, houve redução da circulação do vírus, com o registro de 44.029 casos e 52 mortes. Entre esses casos, 2.556 ocorreram em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária contemplada pela vacinação, sem registro de óbitos nesse grupo ao longo do ano. Em 2024, no entanto, três crianças e adolescentes dessa mesma faixa etária morreram em decorrência da doença, o que reforça a relevância da estratégia de imunização.
As mortes registradas em 2025 concentraram-se principalmente na população com 60 anos ou mais, grupo para o qual ainda não há vacina disponível, somando 38 óbitos, o equivalente a 73% do total do ano. Em 2026, até o momento, o Estado contabiliza 60 casos confirmados de dengue, sendo oito em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, sem registro de mortes. Apesar do cenário atual mais controlado, as autoridades de saúde mantêm o alerta para a importância das medidas preventivas.
Além da vacinação, a eliminação de criadouros do mosquito segue sendo a principal forma de combate à dengue. As ações incluem controle do vetor, uso de inseticidas, vigilância em saúde e incorporação de novas tecnologias, com o objetivo de reduzir a transmissão e proteger a população, especialmente os grupos mais vulneráveis.
Atualmente, a vacina utilizada na estratégia nacional é a Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda Pharma. Para os próximos meses, está prevista a ampliação da oferta com a incorporação de um novo imunizante 100% nacional, desenvolvido pelo Instituto Butantan. A vacina, denominada Butantan-DV, tem como principal diferencial a aplicação em dose única, sendo a primeira do mundo com essa tecnologia, o que pode facilitar a adesão da população.
O novo imunizante começou a ser utilizado em janeiro deste ano em municípios-piloto de três estados — Botucatu, em São Paulo; Maranguape, no Ceará; e Nova Lima, em Minas Gerais — com a vacinação de pessoas entre 15 e 59 anos. A iniciativa busca avaliar o impacto da vacinação na dinâmica de transmissão da dengue e reunir evidências científicas para subsidiar a futura ampliação da estratégia em todo o país. A expansão da vacinação com a Butantan-DV deverá ocorrer de forma gradual, conforme a disponibilidade de doses, com previsão de início pela população de 59 anos e ampliação progressiva até alcançar pessoas a partir dos 15 anos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
