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    Início » Infectologista da UCS explica riscos e formas de transmissão do vírus Nipah após novos alertas sanitários na Ásia
    Saúde

    Infectologista da UCS explica riscos e formas de transmissão do vírus Nipah após novos alertas sanitários na Ásia

    Fernando KopperFernando Kopper29 de janeiro de 202604 Mins Read8

    O vírus Nipah voltou a chamar atenção da imprensa internacional e de autoridades sanitárias nos últimos dias devido ao reforço de medidas de vigilância e ao monitoramento de surtos registrados em países da Ásia. Embora considerada rara, a infecção preocupa especialistas por apresentar alto índice de letalidade e potencial para causar quadros graves em humanos.

    Em entrevista, a médica infectologista e professora do curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Dra. Viviane Raquel Buffon, detalhou as características do vírus, formas de transmissão, sintomas e o risco de disseminação internacional da doença.

    Segundo a especialista, o Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, transmitido inicialmente de animais para humanos. A contaminação pode ocorrer tanto pelo contato com animais infectados quanto pelo consumo de alimentos contaminados e, em alguns casos, também pode acontecer a transmissão entre pessoas.

    Origem do vírus e formas de transmissão
    O vírus foi identificado pela primeira vez no fim da década de 1990, durante um surto na Malásia, que atingiu criadores de suínos e trabalhadores que tiveram contato próximo com porcos infectados. Desde então, episódios esporádicos e surtos localizados têm sido registrados principalmente em países do sul e sudeste asiático.

    Os principais reservatórios naturais do vírus são morcegos frugívoros, que podem contaminar frutas e a seiva de árvores consumidas por outros animais. Os porcos, considerados hospedeiros intermediários, acabam transmitindo o vírus a humanos por meio do contato direto.

    Outros animais domésticos também podem ser infectados acidentalmente, incluindo cabras, ovelhas, cães, gatos e cavalos.

    A médica ressalta ainda que a transmissão entre humanos pode ocorrer quando há contato próximo e sem proteção com secreções respiratórias ou fluidos corporais de pessoas infectadas, situação que costuma afetar familiares e profissionais da saúde que atendem pacientes sem equipamentos adequados.

    Sintomas e evolução da doença

    De acordo com a infectologista, o período de incubação da doença pode variar entre quatro e 21 dias após a exposição ao vírus. Os sintomas iniciais muitas vezes se confundem com doenças respiratórias comuns, apresentando febre, dor de cabeça e mal-estar.

    No entanto, a infecção pode evoluir rapidamente para quadros graves, incluindo pneumonia e comprometimentos neurológicos severos, como encefalite e meningite, que podem levar ao coma e à morte.

    A Dra. Viviane destaca que a gravidade da doença é um dos principais fatores de preocupação.

    “O vírus Nipah possui uma altíssima letalidade, de 40% a 75%, podendo chegar até 90% em alguns surtos, diferente da covid-19, que tem uma baixa letalidade”, explicou durante a entrevista.

    Além do risco de morte, pacientes que sobrevivem à infecção podem apresentar sequelas neurológicas duradouras, incluindo convulsões recorrentes, dificuldades cognitivas e alterações de comportamento e personalidade.

    Não há vacina nem tratamento específico

    Outro fator que preocupa a comunidade médica é a ausência de tratamento antiviral específico e de vacina disponível contra o vírus. Atualmente, o atendimento aos pacientes é baseado no suporte clínico e no controle das complicações respiratórias, neurológicas e cardiovasculares.

    Pesquisas em diferentes países buscam desenvolver vacinas e medicamentos eficazes contra o Nipah, mas ainda não há soluções aprovadas para uso amplo.

    Monitoramento internacional e risco para outros países

    Embora os casos permaneçam concentrados na Ásia, autoridades sanitárias mantêm vigilância constante, especialmente devido ao intenso fluxo de pessoas entre países.

    A médica ressalta que, teoricamente, existe risco de introdução do vírus em outras regiões, incluindo o Brasil, por meio de viagens internacionais. No entanto, ela pondera que o vírus não apresenta, até o momento, a mesma capacidade de disseminação observada em pandemias recentes.

    Segundo a especialista, o potencial pandêmico do Nipah é considerado baixo atualmente, especialmente porque sua transmissão entre humanos é limitada e costuma ocorrer em ambientes de contato próximo.

    Orientações de prevenção e cuidados

    Em regiões onde há circulação do vírus, as autoridades recomendam evitar contato com morcegos e porcos, além de não consumir alimentos possivelmente contaminados, como a seiva crua de tamareira, bebida tradicional em algumas áreas afetadas.

    Nos serviços de saúde, protocolos rígidos de isolamento e uso de equipamentos de proteção individual são fundamentais para evitar a transmissão entre pacientes e profissionais.

    Para a população em geral, a orientação é buscar informações em canais oficiais e evitar alarmismo. Caso algum caso venha a ser confirmado no Brasil, os órgãos de saúde deverão informar a população e orientar sobre medidas de prevenção, isolamento e acompanhamento médico.

    A especialista reforça que, apesar do alerta internacional, não há motivo para pânico, mas sim para atenção e informação qualificada, especialmente em um cenário global de monitoramento constante de novas ameaças sanitárias.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: Leouve

    Fernando Kopper

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