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    Início » Estiagem se instala no Rio Grande do Sul e racionamento de água começa no estado
    Estado

    Estiagem se instala no Rio Grande do Sul e racionamento de água começa no estado

    Fernando KopperFernando Kopper3 de fevereiro de 202605 Mins Read8

    A estiagem já se estabelece em parte do Rio Grande do Sul, com precipitação abaixo a muito abaixo da média, e há tendência de agravamento do quadro de escassez hídrica no curto prazo, acompanhada de perda acelerada de umidade do solo. A avaliação é da meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, que alerta para um verão marcado por chuvas irregulares, cenário que vinha sendo antecipado desde o ano passado.

    Segundo Estael, a MetSul já indicava, ainda na metade de 2025, que o resfriamento do Oceano Pacífico favoreceria uma estação com volumes de chuva inferiores à climatologia em parte do Estado, sobretudo na Metade Sul gaúcha. “Desde a metade do ano passado a MetSul alertava que, por conta do resfriamento do Pacífico, se esperava uma estação com precipitação inferior à climatologia em parte do Estado, especialmente na Metade Sul”, destacou.

    Um dos sinais mais claros do déficit hídrico crescente é o início do racionamento de água em Bagé, na Campanha, medida que passou a valer nesta terça-feira. O problema é recorrente no município em verões com baixa precipitação. Em janeiro, Bagé registrou apenas 47,1 milímetros de chuva, volume muito inferior à média histórica e que contribuiu para a queda acentuada nos níveis das barragens que abastecem a cidade. Com isso, a população se prepara para o sétimo racionamento em dez anos.

    De acordo com o Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), a situação dos reservatórios é preocupante. A barragem Emergencial está cheia, a Piraí opera cerca de 1,2 metro abaixo do nível normal, enquanto a Sanga Rasa, principal manancial do município, está 4,5 metros abaixo da cota ideal.

    Diante desse cenário, a prefeitura publicou decreto autorizando o racionamento preventivo, com o objetivo de preservar a água disponível e reduzir riscos de desabastecimento mais severo. O fornecimento ocorre em sistema de revezamento, dividido em dois setores, com 36 horas de abastecimento e 12 horas de interrupção, sempre das 15h às 3h, seguindo o mesmo modelo adotado em 2025. A prefeitura e o Daeb reforçam o pedido de uso consciente da água, priorizando atividades essenciais e evitando desperdícios.

    Impactos mais severos no Sul e na Campanha

    Produtores rurais ouvidos pela MetSul relatam que a deficiência de chuva se intensificou após 10 de janeiro, com efeitos mais evidentes no Extremo Sul do Estado, na Campanha e em áreas mais ao Sul da Metade Sul. Em contrapartida, localidades do entorno da Lagoa dos Patos apresentam cenário um pouco mais favorável. Ainda assim, a irregularidade das precipitações também gera preocupação em municípios do Centro e do Oeste gaúcho.

    Estiagem deve se agravar no curto prazo

    A previsão para esta semana indica temperaturas ao redor e acima dos 35°C na maior parte do Estado, com máximas próximas ou superiores a 40°C em alguns municípios. Sob calor intenso e ausência de chuva, a evapotranspiração se intensifica, acelerando a perda de umidade do solo e elevando significativamente o risco de estiagem, mesmo em períodos curtos.

    “As altas temperaturas e a forte radiação solar aumentam a evaporação direta da água do solo, enquanto a baixa umidade do ar e o vento favorecem a rápida transferência desse vapor para a atmosfera”, explicou Estael. Com reposição hídrica praticamente inexistente, o solo seca progressivamente, reduzindo a água disponível às plantas e comprometendo o desenvolvimento da vegetação. Em solos rasos ou mal estruturados, com menor capacidade de retenção de água, o efeito tende a ser ainda mais severo.

    Além do calor, a chuva não deve trazer alívio significativo. “A frente fria chega no final da semana, mas não deve trazer volumes altos de chuva para a maioria das cidades”, frisou a meteorologista. Para a agricultura gaúcha, o cenário é desfavorável: as precipitações previstas são muito irregulares e mal distribuídas, com volumes baixos e, em alguns pontos, sem registro de chuva ao longo da semana. Apenas áreas muito localizadas podem ter chuva mais expressiva associada a temporais isolados.

    Influência do Pacífico ainda pesa no regime de chuvas

    Embora a La Niña tenha chegado ao fim, as condições atuais refletem o resfriamento do Pacífico Equatorial observado nos últimos meses, fator que contribuiu para a irregularidade das chuvas no Rio Grande do Sul. Conforme o boletim semanal mais recente da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 está em -0,4°C, dentro da faixa de neutralidade.

    “Mesmo sem La Niña, as anomalias seguem negativas e os efeitos inerciais do fenômeno na atmosfera permanecem, o que favorece chuva irregular e abaixo da média em várias regiões gaúchas”, explicou Estael. Segundo ela, um aquecimento mais acentuado do Pacífico nas áreas costeiras do Peru e do Equador, nas próximas semanas, pode favorecer aumento da chuva no Estado mais adiante neste verão, mas, até lá, o quadro de estiagem exige atenção, especialmente no Sul e na Campanha.

    Foto e informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: Correio do Povo

    Fernando Kopper

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