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    Início » Transporte ferroviário perde espaço no Rio Grande do Sul e queda afeta trecho Rio Grande–Cruz Alta
    Estado

    Transporte ferroviário perde espaço no Rio Grande do Sul e queda afeta trecho Rio Grande–Cruz Alta

    Fernando KopperFernando Kopper21 de fevereiro de 202604 Mins Read14
    A participação do transporte ferroviário na movimentação do Porto de Rio Grande registrou queda de cerca de 66,7% nos últimos dois anos, passando de 6% em 2023 para apenas 2% em 2024. O recuo evidencia a perda de competitividade do modal no Rio Grande do Sul e acende alerta para a logística de escoamento da produção agrícola no Estado.
    Atualmente, o único trecho ferroviário em operação liga o município de Rio Grande a Cruz Alta, no noroeste gaúcho. Com 921 quilômetros de extensão, a rota é considerada estratégica para o transporte de grãos como milho, soja e trigo até o porto. No entanto, a precariedade da infraestrutura limita a operação. Devido à má conservação dos trilhos, os trens circulam com velocidade média de apenas 21 km/h, o que reduz a eficiência do sistema.
    Segundo o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, a queda recente acompanha uma perda mais ampla da relevância ferroviária no Estado. Entre 2006 e 2023, o transporte ferroviário total no Rio Grande do Sul recuou 51%. Conforme o dirigente, a ausência de metas de desempenho, tarifas compatíveis e obrigações de manutenção amplia o risco de novas perdas de mercado.
    Na sexta-feira (20), a Comissão de Ferrovias da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizou audiência pública em Rio Grande para discutir os estudos sobre novos modelos para a Malha Sul. O encontro reuniu representantes da Portos RS, do governo federal e de empresas do Distrito Industrial de Rio Grande.
    Durante o debate, o coordenador-geral de Outorgas do Ministério dos Transportes, Álvaro Neto, afirmou que a concessionária Rumo Logística demonstrou interesse na prorrogação do contrato da Malha Sul, mas não apresentou proposta considerada mais vantajosa. Segundo ele, o ministério segue com a modelagem para um novo leilão, que deverá ser submetido à audiência pública nos próximos meses.
    Nos últimos dez anos, o volume de grãos embarcados pelo Porto de Rio Grande aumentou 35%. Apesar da ampliação da demanda, o transporte ferroviário apresentou retração, ampliando a dependência do modal rodoviário. Com maior concentração de cargas nas rodovias, cresce o desgaste das pistas, o risco de congestionamentos e a ocorrência de acidentes, cenário que pode se agravar com o fim da concessão da Ecovias Sul no Polo Rodoviário de Pelotas, responsável pela administração de trechos estratégicos das BR-116 e BR-392, principais acessos ao porto.
    De acordo com Dawson Jr., vice-presidente dos terminais Termasa/Tergrasa e especialista em logística, a redução da oferta de vagões transfere volume para o transporte rodoviário, elevando a pressão sobre a infraestrutura viária e aumentando os custos logísticos das cargas.
    Dados da concessionária indicam que cerca de 12.020 caminhões trafegam diariamente no sentido Pelotas–Rio Grande. Embora o fluxo seja considerado elevado, ele representa redução de 1% em relação a 2024, quando a média diária era de 12.164 veículos. Especialistas apontam que a menor oferta de produtos agrícolas reduziu temporariamente a pressão sobre o sistema rodoviário, mas não resolve os problemas estruturais da logística estadual.
    Desde 1997, a malha ferroviária gaúcha é operada pela Rumo Logística, cujo contrato com o governo federal tem validade até 2027. A empresa manifestou interesse na renovação da concessão, enquanto o governo anunciou novos leilões ferroviários. Para a autoridade portuária, o cenário reforça a necessidade de investimentos na modernização da malha, considerada essencial para reduzir custos e ampliar a competitividade do Porto de Rio Grande.
    Estudo técnico elaborado para a Portos RS aponta que o modelo mais eficiente seria o de concessão integrada com metas de desempenho, no qual uma única empresa assumiria a construção, operação e manutenção da ferrovia. O sistema prevê bonificações pelo cumprimento de metas e penalidades em caso de descumprimento, com o objetivo de garantir eficiência, continuidade do serviço e expansão da malha com menor custo público.
    O modelo também exigiria investimentos obrigatórios em trechos subutilizados ou suspensos, que atualmente somam 982 quilômetros no Estado, além de ampliar a previsibilidade operacional e reduzir o risco de novas interrupções em ramais estratégicos.
    Entre os trechos considerados prioritários estão o corredor Cruz Alta–Santa Maria–Cacequi–Rio Grande, apontado como eixo estruturante do escoamento até o porto, o trecho Passo Fundo–Cruz Alta, que atende a principal região produtora de grãos do Estado, além das ligações Santo Ângelo–Cruz Alta, Ijuí–Júlio de Castilhos e Livramento–Cacequi, consideradas estratégicas para a logística regional e integração com o Mercosul.
    Em nota, a Rumo Logística informou que avalia estrategicamente os projetos da carteira de concessões do governo federal com base na viabilidade técnica, regulatória e econômica. A empresa destacou que o futuro da concessão da Malha Sul está em discussão em grupo de trabalho liderado pelo Ministério dos Transportes e ressaltou que permanece em diálogo com o governo federal, especialmente após os impactos provocados pelas enchentes de 2024.
    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: GZH
    Fernando Kopper

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