A colheita do pinhão está oficialmente liberada a partir desta quarta-feira, 1º de abril, no Rio Grande do Sul, conforme determina a Lei Estadual nº 15.915/2022. A legislação autoriza a colheita, transporte, comercialização e armazenamento da semente, tradicional na cultura gaúcha, especialmente nas regiões de clima mais frio.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, a expectativa para a safra deste ano é de redução na produção em diversas regiões do Estado, principalmente na Serra Gaúcha, considerada a principal produtora. Em contrapartida, os preços devem apresentar leve elevação em relação ao ano passado, impulsionados pela menor oferta.
A engenheira florestal Adelaide Juvena Kegler Ramos, da regional de Caxias do Sul, explica que a legislação busca equilibrar a preservação da Araucária angustifólia — árvore ameaçada de extinção — com a geração de renda para famílias que dependem do extrativismo do pinhão. Durante os meses de abril, maio e junho, é proibido o corte da araucária nativa.
Na safra de 2025, foram colhidas cerca de 600 toneladas de pinhão na Serra Gaúcha. Para este ano, a previsão é de queda, com variações entre 12,5% e 60% conforme o município. Entre os fatores que explicam a redução estão as estiagens recorrentes, o excesso de chuvas em períodos críticos e a alternância natural de produção da espécie, que ocorre em ciclos de aproximadamente três anos.
Municípios tradicionalmente produtores, como São Francisco de Paula, devem registrar queda superior a 60%, com previsão de 40 toneladas. Já cidades como Muitos Capões e Jaquirana estimam produção de 120 toneladas cada, cerca de 20% menor que na safra anterior. Em Cambará do Sul, Bom Jesus e São José dos Ausentes, as reduções também devem ser significativas. Por outro lado, localidades como Caxias do Sul devem manter os níveis de produção, enquanto Canela pode registrar crescimento de até 100%.
Além da Serra, outras regiões também iniciam a colheita. Na região de Passo Fundo, a expectativa é de produção de cerca de 130 toneladas, com destaque para municípios como Barracão, Caseiros e Lagoa Vermelha. Já na região de Soledade, aproximadamente 140 famílias devem colher cerca de 100 toneladas nesta safra.
O pinhão também movimenta a economia local em municípios turísticos como Gramado, Canela e Nova Petrópolis, integrando a gastronomia e atraindo visitantes durante os meses mais frios.
A colheita é realizada de forma manual, e a comercialização ocorre, em sua maioria, de maneira informal. Neste início de safra, o preço pago ao produtor varia entre R$ 6,00 e R$ 8,00 por quilo, enquanto ao consumidor final os valores ficam entre R$ 12,00 e R$ 15,00. Em mercados e feiras, os preços podem chegar a R$ 16,00, e produtos beneficiados, como pinhão moído ou paçoca, alcançam até R$ 30,00 o quilo.
A safra deve se estender até o final de julho ou início de agosto, dependendo das variedades de araucária, incluindo as mais tardias. Além de sua importância cultural, o pinhão segue sendo uma fonte relevante de renda para centenas de famílias gaúchas, especialmente no período de outono e inverno.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
