A empresa brasileira Simbiose, de Cruz Alta, aparece na liderança de um levantamento sobre as principais empresas do mercado de bioinsumos no Brasil, com índice de 22,2% de liderança nos segmentos e regiões agrícolas analisados. O estudo destaca a presença de empresas nacionais em um setor estratégico para o desenvolvimento de soluções biológicas aplicadas à agricultura.
De acordo com o levantamento, 55% das empresas líderes nos diferentes segmentos analisados são brasileiras, correspondendo a 15 das 27 empresas listadas. As outras 12 empresas, equivalentes a 45%, são estrangeiras. Entre os destaques internacionais estão as multinacionais Koppert e Biotrop.
A pesquisa foi realizada com representantes comerciais de 14 regiões agrícolas brasileiras, que foram consultados sobre as cinco empresas e os produtos considerados líderes em oito segmentos de bioinsumos, incluindo fungicidas e inseticidas.
Para estabelecer os resultados, cada empresa ou produto recebeu uma pontuação de zero a cinco pontos em cada categoria, conforme as indicações dos entrevistados. A pontuação zero foi atribuída quando uma empresa não era mencionada, enquanto cinco pontos correspondiam à indicação como líder no segmento da região consultada.
Os responsáveis pelo levantamento ressaltam que a metodologia tende a refletir empresas de médio e grande porte com maior presença comercial. Existem outras empresas de menor porte atuando no mercado que não aparecem entre as 27 listadas. Considerando que boa parte dessas empresas menores é brasileira, estima-se que a abrangência comercial das empresas nacionais seja equivalente a aproximadamente 50% do mercado.
Bioinsumos ampliam alternativas para a agricultura
Os avanços tecnológicos em bioinsumos agrícolas vêm oferecendo alternativas sustentáveis para complementar ou, em determinadas situações, substituir insumos químicos utilizados nas lavouras. O Brasil ocupa posição de destaque mundial nesse setor, que ganha espaço na busca por sistemas de produção mais eficientes e sustentáveis.
Um estudo sobre o tema apresenta as soluções biológicas comercialmente disponíveis no país e analisa sua utilização por produtores de soja, principal commodity agrícola brasileira. O trabalho reúne informações sobre os produtos a partir das instruções de uso presentes nos rótulos e de entrevistas com representantes das empresas privadas responsáveis por sua comercialização. A adoção dos bioinsumos foi estimada por meio de uma pesquisa com representantes comerciais de oito regiões agrícolas brasileiras.
A análise caracteriza o portfólio de soluções biológicas disponíveis para a produção de soja, incluindo inoculantes, biofungicidas, bioinseticidas e bionematicidas, cada categoria com diferentes aplicações agronômicas.
Em determinadas condições, os produtos biológicos podem substituir os químicos. É o caso de alguns nematicidas e fungicidas utilizados em aplicações iniciais, especialmente quando há baixa pressão de doenças ou pragas. Em outras situações, os bioinsumos são empregados de forma complementar aos produtos químicos, como ocorre no controle de insetos, contribuindo para melhorar a eficácia do manejo e reduzir a pressão de seleção que favorece a resistência das pragas aos defensivos convencionais.
O estudo também aponta que os níveis de adoção variam conforme a categoria do produto, o nível tecnológico dos sistemas de produção e as características de cada região agrícola. Dessa forma, a utilização dos bioinsumos depende das condições de cultivo, das necessidades de manejo e das estratégias adotadas pelos produtores.
A pesquisa representa uma das primeiras avaliações abrangentes sobre a aplicação agronômica dos bioinsumos e oferece subsídios para compreender as mudanças tecnológicas em direção a uma agricultura mais sustentável. Os resultados podem contribuir para a formação de profissionais e estudantes das ciências agrárias, além de auxiliar agricultores na compreensão das possibilidades de utilização dessas soluções na proteção de cultivos e no desenvolvimento das plantas.
Simbiose reforça a presença de Cruz Alta no setor
A liderança atribuída à Simbiose no levantamento destaca a participação de uma empresa de Cruz Alta em um mercado que reúne companhias nacionais e multinacionais e que tem ampliado sua importância para o agronegócio brasileiro.
A presença expressiva de empresas brasileiras nos segmentos analisados evidencia a capacidade nacional de desenvolver e comercializar tecnologias biológicas voltadas à produção agrícola. O avanço dessas soluções também abre possibilidades para diversificar as estratégias de manejo das lavouras, ampliar a eficiência produtiva e reduzir a dependência de determinados insumos químicos.
Os responsáveis pelo levantamento destacam, entretanto, que os resultados possuem limitações, pois abrangem apenas parte das regiões agrícolas brasileiras e refletem as percepções dos representantes comerciais entrevistados. O material passou por correções após sua primeira divulgação, e novas sugestões foram consideradas importantes para aperfeiçoar a análise.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fontes: Dr. Gabriel Medina
