O plantio da soja da safra 2026/2027 segue em ritmo lento no Rio Grande do Sul, mesmo após a abertura do período recomendado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), em 1º de outubro. Segundo levantamento divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (8), as chuvas frequentes mantêm a umidade do solo elevada, dificultam a entrada de máquinas nas lavouras e limitam o avanço da semeadura. Além disso, a cotação média estadual da saca de 60 quilos apresentou queda na última semana.
A semeadura permanece em estágio inicial, concentrada principalmente em áreas autorizadas para o plantio antecipado em setembro. Até o momento, a área implantada ainda não apresenta representatividade estatística. Em diversas regiões, os produtores mantêm as lavouras em preparação, com a dessecação avançada, aguardando condições adequadas de umidade para iniciar os trabalhos.
Parte das áreas semeadas antecipadamente apresenta boa emergência e estande de plantas. Entretanto, lavouras atingidas por granizo registraram danos, e a capacidade de recuperação das plantas continua sendo monitorada.
A cobertura do solo com aveia e azevém apresenta resultados positivos na proteção contra a erosão e no controle de plantas daninhas. Por outro lado, o volume elevado de palhada, associado à manutenção da umidade, pode dificultar as operações de semeadura.
Projeção para a safra gaúcha
A Emater/RS-Ascar estima o cultivo de 6.645.384 hectares de soja no Estado na safra 2026/2027. A produtividade média está projetada em 3.183 quilos por hectare, com produção total estimada em 21.151.135 toneladas.
As condições de plantio e as expectativas de rendimento variam entre as regiões administrativas. Em Bagé, as chuvas volumosas marcaram o início do período de semeadura, com pouca movimentação nas lavouras. A estimativa regional é de 1,02 milhão de hectares, com produtividade de 2.403 quilos por hectare.
Na região de Caxias do Sul, o plantio ainda não começou. A previsão é de 256.503 hectares cultivados, com rendimento médio de 3.663 quilos por hectare. Já Erechim apresenta a maior produtividade projetada entre as regiões citadas, com 3.743 quilos por hectare em uma área estimada de 248.475 hectares. No entanto, há indicação de redução do nível tecnológico na implantação das lavouras, associada à diminuição do uso de crédito rural para custeio.
Em Ijuí, a semeadura não avançou devido à elevada umidade do solo. As áreas implantadas antecipadamente representam 0,2% da área estimada para a região e apresentam boa emergência e estande de plantas. A projeção regional é de 1.007.031 hectares, com produtividade média de 3.663 quilos por hectare.
Nas regiões de Lajeado, Passo Fundo, Pelotas e Porto Alegre, as áreas previstas são de 24.209, 642.800, 515.970 e 188.158 hectares, respectivamente. As produtividades estimadas são de 3.326 quilos por hectare em Lajeado, 3.704 em Passo Fundo, 2.606 em Pelotas e 2.824 em Porto Alegre.
Santa Maria concentra a maior área prevista
A região de Santa Maria deverá concentrar a maior área de soja do Rio Grande do Sul, com previsão de cultivo em 1.036.859 hectares. A produtividade média está estimada em 3.062 quilos por hectare. As lavouras seguem em preparação, aguardando condições favoráveis para o início da semeadura.
Em Santa Rosa, aproximadamente 2% dos 786.234 hectares previstos já foram semeados, principalmente em áreas de implantação antecipada a partir de 15 de setembro. As chuvas frequentes limitaram o avanço das operações, que permanecem concentradas na dessecação e no preparo do solo. As lavouras implantadas em setembro também registraram danos provocados por granizo, e a capacidade de rebrota das plantas está sendo acompanhada. A produtividade regional está projetada em 3.215 quilos por hectare.
Na região de Soledade, muitas áreas já foram dessecadas e estão prontas para receber as sementes, mas os produtores aguardam a melhora das condições do solo. A estimativa é de 487.640 hectares cultivados, com produtividade média de 3.275 quilos por hectare.
Preço da soja registra queda
Além das dificuldades no início do plantio, o mercado apresentou recuo nos preços. Conforme o levantamento semanal da Emater/RS-Ascar, a cotação média estadual da saca de soja de 60 quilos caiu 1,61%, passando de R$ 142,00 para R$ 139,71.
Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o preço informado para a soja disponível foi de R$ 149,00 por saca de 60 quilos, acima da média estadual registrada no levantamento.
O avanço da semeadura dependerá da melhora das condições de umidade do solo, permitindo a retomada das operações nas áreas já preparadas. O comportamento do clima nas próximas semanas será importante para o desenvolvimento inicial da safra 2026/2027 no Estado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
