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    Estado

    Produtores rurais protestam antes da abertura da Expodireto em Não-Me-Toque e pedem securitização das dívidas

    Fernando KopperFernando Kopper9 de março de 202603 Mins Read4

    Antes mesmo da abertura oficial da 26ª Expodireto Cotrijal, na manhã desta segunda-feira (9), em Não-Me-Toque, produtores rurais realizaram um protesto em frente ao parque do evento para chamar atenção à situação financeira enfrentada pelo setor agrícola no Rio Grande do Sul.

    A mobilização foi organizada pela Associação de Produtores e Empresários Rurais (APER), entidade que reúne produtores e empresários do agronegócio e afirma não possuir ligação política. O ato recebeu o nome “Luto pelo agro. Se não lutar, ele morre”.

    Mesmo com frio e chuva, cerca de 300 produtores rurais participaram da manifestação. Durante o protesto, os participantes carregaram cruzes pretas e um caixão coberto com a bandeira do Rio Grande do Sul, simbolizando as dificuldades enfrentadas pelo setor.

    Entre as principais reivindicações está a securitização das dívidas agrícolas, mecanismo que permitiria alongar prazos de pagamento para agricultores que enfrentam dificuldades financeiras após perdas consecutivas de safra provocadas por eventos climáticos. Segundo os produtores, o endividamento junto ao sistema bancário tem impedido o acesso a novos créditos para o plantio e investimentos nas propriedades.

    Durante o ato, os manifestantes também lembraram que a crise no campo já teria levado 36 agricultores ao suicídio, além de criticarem a cobrança de 7,5% de multa de royalties por empresas de biotecnologia, considerada excessiva por parte do setor.

    Um dos líderes do protesto, Arlei Romero, afirmou que o produtor rural é o elo mais vulnerável da cadeia produtiva. “Como o agricultor cumpre a lei e paga as suas contas, a gente precisa também que aqueles que fazem parte desta corrente cumpram. O primeiro elo é o produtor rural. O segundo é o governo, o terceiro é o sistema financeiro e o quarto é a iniciativa privada. O elo mais importante desta corrente é o produtor rural”, declarou durante discurso na entrada do parque.

    Após os pronunciamentos, os manifestantes caminharam pelo parque da Expodireto Cotrijal, levando suas reivindicações a empresas de sementes transgênicas e biotecnologia. Em seguida, dirigiram-se aos estandes de instituições financeiras, onde entregaram documentos solicitando prorrogação das dívidas agrícolas.

    O produtor Rodrigo Carassa, que participou da manifestação segurando uma faixa com a frase “Securitização já”, destacou que o setor não pede perdão das dívidas, mas sim melhores condições para pagá-las. “A securitização é um alongamento de nossas dívidas para que a gente tenha a possibilidade de pagar. Jamais pedimos perdão da dívida. Queremos alongar com juros justos, porque estamos vindo de frustração de safra e enchentes”, afirmou.

    Produtor de grãos em uma propriedade no município de Pontão, no norte do estado, Carassa também criticou o aumento dos custos de produção, especialmente do combustível. “O preço dos nossos produtos está muito baixo e os custos estão elevados. De ontem para hoje, o diesel explodiu de preço e há falta do combustível no mercado justamente quando a colheita está chegando”, relatou.

    Outro ponto levantado pelos produtores foi o valor cobrado em royalties por tecnologias agrícolas, que atualmente gira em torno de 7%. Segundo os manifestantes, o setor defende a cobrança, mas com valores considerados mais justos, entre 1,5% e 2%.

    Os agricultores também destacaram que a situação financeira no campo se arrasta há vários anos, com sucessivas renegociações de dívidas após perdas provocadas por seca, enchentes e outras adversidades climáticas. “Já estamos três ou quatro safras renegociando e empurrando para frente. Agora a corda não tem mais onde esticar”, afirmou Carassa.

    Após a caminhada pelo parque, os manifestantes ingressaram no pavilhão onde ocorria a abertura oficial da feira. O protesto ocorreu de forma pacífica, sem registro de tumultos.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte e foto: Correio do Povo

    Fernando Kopper

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