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    Início » Polícia Civil indicia empresários investigados na Operação Storm por crimes de pornografia infantil
    Polícia

    Polícia Civil indicia empresários investigados na Operação Storm por crimes de pornografia infantil

    Fernando KopperFernando Kopper8 de julho de 202604 Mins Read0

    A Polícia Civil concluiu o inquérito da Operação Storm e indiciou os dois empresários presos durante a ação realizada no fim de junho, em Ivoti, no Vale do Sinos. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) na última terça-feira e confirmou que um dos investigados, além de armazenar, também compartilhou arquivos de pornografia infantil.

    De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação, o empresário de 64 anos foi indiciado pelo crime de armazenamento de material de abuso sexual infantil. A perícia realizada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) não identificou evidências de compartilhamento dos arquivos encontrados em seus equipamentos. A pena prevista para esse crime varia de um a quatro anos de reclusão.

    Já o segundo investigado, de 47 anos, foi indiciado pelos crimes de armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil. Conforme a delegada, a perícia comprovou ao menos um episódio de compartilhamento de arquivos, o que alterou o enquadramento jurídico do caso. O crime de compartilhamento prevê pena de três a seis anos de prisão.

    Apesar do agravamento da acusação, a delegada explicou que o novo enquadramento não justificava, por si só, um pedido de prisão preventiva, uma vez que não estavam presentes os requisitos legais previstos na legislação.

    Com a comprovação do compartilhamento, parte da investigação passa a ser de competência da Justiça Federal, em razão da transnacionalidade do delito, já que parte do material analisado envolve conteúdo relacionado a crimes praticados em outros países.

    Debate sobre penas e tratamento

    Ao comentar o caso, a delegada Luciane Bertoletti defendeu a ampliação do debate sobre o endurecimento das penas para crimes de abuso sexual infantil praticados pela internet. Segundo ela, também é necessário discutir medidas voltadas ao tratamento psiquiátrico dos autores desses delitos.

    A delegada afirmou que profissionais da área da saúde mental apontam que muitos investigados apresentam transtornos que exigem acompanhamento especializado, destacando que apenas o cumprimento da pena pode não ser suficiente para evitar a reincidência.

    Durante a operação, um dos empresários declarou aos policiais que precisava buscar tratamento e afirmou ser “viciado”, relatando que nunca havia procurado ajuda por vergonha.

    Mais de 100 terabytes de arquivos apreendidos

    A Operação Storm foi deflagrada após cerca de três meses de investigação conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Esteio, com apoio do Instituto-Geral de Perícias.

    Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, policiais civis e peritos recolheram computadores, notebooks, celulares, HDs externos e outros dispositivos eletrônicos que armazenavam mais de 100 terabytes de arquivos.

    Além de material de abuso sexual infantil, também foram encontrados conteúdos de pornografia adulta e arquivos envolvendo zoofilia.

    Empresários respondem em liberdade

    Os nomes dos investigados não foram divulgados pela Polícia Civil. Conforme informado, ambos são empresários e sócios de grandes empresas. Um deles pertence a uma tradicional família ligada ao setor calçadista no Rio Grande do Sul, especialmente nas regiões do Vale do Sinos e Paranhana. O outro atua no ramo de matrizes e componentes para calçados.

    Os dois chegaram a ser presos em flagrante durante a operação, mas obtiveram liberdade provisória após audiência de custódia. À época, Polícia Civil, Ministério Público e Justiça entenderam que não havia fundamentos legais para decretar a prisão preventiva.

    Entre as medidas cautelares impostas pela Justiça estão o comparecimento periódico em juízo, a obrigação de manter endereço e telefone atualizados e a proibição de praticar novos delitos, sob pena de decretação da prisão preventiva.

    Com a conclusão das investigações, caberá agora ao Ministério Público do Rio Grande do Sul analisar o inquérito policial e decidir pelo oferecimento, ou não, de denúncia criminal contra os dois empresários.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper

    Fernando Kopper

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