Uma ampla operação de segurança mobilizou cerca de 400 agentes nesta segunda-feira na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas, com o objetivo de combater a atuação de organizações criminosas dentro do sistema prisional gaúcho. A ação teve como foco a apreensão de materiais ilícitos e a interrupção da comunicação de apenados ligados a facções criminosas.
A ofensiva é coordenada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e da Promotoria de Justiça de Execução Criminal de Novo Hamburgo, com apoio da Brigada Militar. A iniciativa integra a quinta etapa da Operação Convergência Nacional no Estado, promovida pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC).
Segundo o Ministério Público, o objetivo é enfraquecer a estrutura que permite a continuidade de crimes a partir do interior da penitenciária. As investigações apontam que integrantes de facções mantêm atuação organizada dentro da unidade prisional, utilizando o local como base para coordenar delitos tanto dentro quanto fora dos presídios.
Entre os principais alvos da operação estão celulares, chips telefônicos e entorpecentes. Conforme o MPRS, há indícios da existência de um esquema estruturado para introduzir materiais ilícitos na penitenciária, incluindo o uso de drones para entregas aéreas e arremessos de objetos sobre os muros da unidade. Os materiais apreendidos durante a revista ainda estão sendo contabilizados pelas autoridades.
Dados levantados pelo Ministério Público demonstram a dimensão do problema. Entre 2025 e abril de 2026, foram apreendidos na Penitenciária Estadual do Jacuí 646 celulares, 758 chips e mais de 12 quilos de drogas. Os números evidenciam os desafios enfrentados pelas forças de segurança para impedir a comunicação ilegal de presos e a atuação das facções criminosas.
A ação também faz parte do projeto Frequência Zero, desenvolvido pelo GAECO para neutralizar o uso de celulares no sistema prisional. A estratégia inclui o rastreamento de sinais clandestinos e o bloqueio definitivo dos aparelhos por meio do cancelamento do IMEI, impedindo que os equipamentos voltem a ser utilizados.
Além das apreensões, a operação busca identificar os responsáveis pela entrada dos materiais ilícitos e interromper os fluxos de comunicação que permitem a articulação de atividades criminosas a partir do interior dos presídios gaúchos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
