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    Início » ONU alerta para risco de eventos climáticos extremos com avanço de El Niño que pode ser o mais forte em décadas
    Clima

    ONU alerta para risco de eventos climáticos extremos com avanço de El Niño que pode ser o mais forte em décadas

    Fernando KopperFernando Kopper4 de setembro de 202604 Mins Read5

    O mundo entrou em uma “zona de perigo de eventos climáticos extremos” diante do avanço dos efeitos do El Niño, segundo alerta do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Dados recentes da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que o fenômeno pode alcançar uma intensidade excepcional e permanecer atuando pelo menos até fevereiro de 2027.

    O El Niño altera os padrões climáticos em diferentes regiões do planeta, provocando secas em algumas áreas e chuvas intensas, enchentes e tempestades em outras. Entre as regiões com previsão de precipitações acima da média estão partes do leste da África, do sul do Brasil e do sul dos Estados Unidos, aumentando o risco de enchentes.

    Além das mudanças nos regimes de chuva, o fenômeno também tende a elevar as temperaturas em diversas partes do mundo. Os efeitos ocorrem em um planeta que já enfrenta um processo de aquecimento global associado à atividade humana, o que pode contribuir para intensificar os impactos dos eventos extremos.

    “O El Niño está ganhando proporções gigantescas diante dos nossos olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está entrando em águas desconhecidas, e essas águas estão ficando mais quentes”, afirmou António Guterres.

    A temperatura da superfície do mar nas regiões central e leste do Pacífico tropical aumentou significativamente nos últimos meses, indicando o fortalecimento do fenômeno. Na principal área utilizada para monitorar o El Niño, as águas já registraram temperaturas mais de 2°C acima da média nas últimas semanas.

    As projeções indicam que a temperatura média mensal da superfície do mar poderá chegar perto de 4°C acima do normal. Caso esse cenário se confirme, o episódio poderá ser o mais forte desde pelo menos 1950. Abaixo da superfície do Pacífico, algumas áreas apresentam temperaturas superiores a 8°C acima da média.

    A OMM reforçou sistemas de monitoramento e alerta para tentar antecipar os possíveis impactos. A agência também destacou a necessidade de preparar comunidades vulneráveis para secas, enchentes, incêndios florestais e outros eventos extremos.

    O fenômeno já provoca preocupação em diferentes partes do mundo. No Panamá, a previsão de redução das chuvas levou as autoridades a anunciar a diminuição de mais de 10% no número de embarcações que passam pelo Canal do Panamá, uma importante rota do comércio internacional e fonte de receita para o país.

    Na Indonésia, incêndios florestais já atingiram mais de 107 mil hectares durante a atual estação seca. A seca prolongada também tem provocado problemas no Sudeste Asiático, enquanto autoridades utilizam aviões para semeadura de nuvens na tentativa de provocar chuvas e auxiliar no combate às queimadas.

    Na China, especialistas esperam a ocorrência de diversos tufões ao longo do ano e associam parte do cenário à intensidade excepcional do El Niño. O país já registrou episódios de fortes tempestades e deslocamento de populações em decorrência de eventos extremos.

    Na Austrália, as temperaturas elevadas dos oceanos também preocupam pesquisadores, especialmente pelos impactos sobre a vida marinha. Ondas de calor marinhas já provocaram mortandade de peixes, alterações nos níveis de oxigênio da água e outros impactos ambientais.

    Na América do Sul, países como Peru, Equador e Brasil estão entre as regiões que podem sofrer consequências importantes do fenômeno. O Peru é considerado especialmente vulnerável por sua localização junto ao Pacífico oriental.

    Em episódios anteriores de El Niño, partes do Peru, Equador e Brasil registraram aumento das chuvas, com ocorrência de enchentes repentinas e deslizamentos, principalmente em áreas urbanas com dificuldades de escoamento da água.

    No Brasil, meteorologistas apontam que o El Niño continuará influenciando o clima e poderá contribuir para um cenário de eventos extremos em diferentes regiões do país. A previsão indica temperaturas acima da média em praticamente todo o território nacional, mas com efeitos distintos.

    No Sul, incluindo o Rio Grande do Sul, o fenômeno aumenta a possibilidade de chuvas intensas, temporais, ventos fortes, granizo e alagamentos. No Sudeste e Centro-Oeste, a tendência é de temperaturas elevadas e períodos de baixa umidade do ar. Já no Norte e Nordeste, a expectativa de redução das chuvas pode favorecer a ocorrência e o avanço de queimadas.

    A OMM alerta que os efeitos do El Niño poderão continuar sendo sentidos ao longo de 2027. A combinação entre o fenômeno natural e o aquecimento global aumenta a preocupação de cientistas e autoridades diante da possibilidade de eventos climáticos cada vez mais intensos.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Foto: Reprodução

    Fernando Kopper

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