A ex-deputada federal Carla Zambelli foi libertada na noite desta sexta-feira (22), após a Corte de Cassação da Itália negar o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro no processo relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A decisão anulou o entendimento adotado em março de 2026 pela Corte de Apelação de Roma, que havia autorizado o envio da ex-parlamentar ao Brasil. Com a nova determinação, Zambelli deixou a prisão na Itália, onde estava detida desde julho de 2025, e poderá responder ao processo em liberdade enquanto o caso segue em análise no país europeu.
Segundo a defesa, o tribunal italiano reconheceu falhas nas decisões anteriores envolvendo o pedido de extradição. Após a soltura, Zambelli divulgou nas redes sociais um vídeo ao lado do advogado Pieremilio Sammarco, responsável por sua defesa na Itália.
“Agora, a gente está livre para continuar uma vida de missão. Vocês não sabem ainda qual é essa missão, mas logo vão saber pelos meus canais”, afirmou a ex-deputada.
O caso ainda depende de manifestação do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que terá prazo de 45 dias para se posicionar após o acórdão da Corte de Cassação.
Além do processo relacionado à invasão dos sistemas do CNJ, Zambelli também responde a um segundo pedido de extradição ligado à condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, caso que ainda será analisado pela Justiça italiana.
O pedido de extradição foi apresentado depois que Carla Zambelli deixou o Brasil em 2025, logo após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de invasão aos sistemas do CNJ e falsidade ideológica.
De acordo com as investigações, a ex-deputada foi apontada como autora intelectual da invasão, executada pelo hacker Walter Delgatti, que também foi condenado e declarou ter realizado a ação a mando da parlamentar.
Nos sistemas do CNJ foram inseridos documentos falsos, incluindo um mandado fictício de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Conforme a Polícia Federal, o objetivo da ação era desacreditar o Poder Judiciário.
Dias antes do esgotamento dos recursos judiciais, Zambelli deixou o país. Em 3 de junho de 2025, anunciou publicamente que havia viajado para a Europa, alegando necessidade de tratamento médico.
Posteriormente, o STF decretou sua prisão preventiva e incluiu o nome da ex-deputada na lista vermelha da Interpol. Em 29 de julho de 2025, ela foi presa em Roma durante operação conjunta da Polícia Federal, autoridades italianas e Interpol.
Na ocasião, o deputado italiano Angelo Bonelli afirmou ter informado à polícia o endereço onde Zambelli estava hospedada.
Já na Itália, a ex-deputada também foi condenada pelo STF em um segundo processo, recebendo pena de cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
O episódio ocorreu em outubro de 2022, quando Zambelli foi filmada perseguindo um homem armada pelas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais.
O STF também determinou a perda do mandato parlamentar da ex-deputada. Na época, ela chegou a apresentar pedido de renúncia e declarou que seguia “viva” politicamente.
Após a prisão de Zambelli, o governo brasileiro formalizou o pedido de extradição. O julgamento na Corte de Apelação de Roma foi adiado três vezes para análise de documentos.
Em março de 2026, a Justiça italiana autorizou a extradição no caso relacionado ao CNJ. Em abril, também houve decisão favorável à extradição no processo ligado ao porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.
A defesa recorreu à Corte de Cassação dentro do prazo legal. Nesta sexta-feira, o tribunal de última instância anulou a decisão referente ao processo do CNJ.
Segundo o advogado Fábio Pagnozzi, a Corte italiana entendeu que havia inconsistências nas provas apresentadas contra a ex-deputada. O caso de Zambelli se tornou a segunda extradição solicitada em processos relatados pelo ministro Alexandre de Moraes a ser rejeitada no exterior.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
