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    Início » Justiça homologa laudo que considera mãe acusada de matar filhas gêmeas plenamente capaz de responder criminalmente
    Justiça

    Justiça homologa laudo que considera mãe acusada de matar filhas gêmeas plenamente capaz de responder criminalmente

    Fernando KopperFernando Kopper30 de outubro de 202603 Mins Read0

    A Justiça homologou o laudo psiquiátrico judicial que concluiu que Gisele Beatriz Dias, de 44 anos, tinha condições mentais de responder criminalmente pela morte das duas filhas gêmeas, Manuela e Antônia Pereira, de 6 anos. Com a decisão, o processo criminal, que estava suspenso para a realização da perícia, foi reativado.

    Gisele é ré por duplo feminicídio. As meninas morreram com oito dias de diferença, em outubro de 2024, no município de Igrejinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

    O documento foi anexado ao processo em 1º de outubro. Na decisão, o juiz Diogo Bononi Freitas declarou que a acusada era “plenamente imputável à época dos fatos apurados” e determinou o prosseguimento da ação penal.

    A imputabilidade significa que uma pessoa possui capacidade mental para compreender o caráter ilícito de seus atos e responder criminalmente por eles. O magistrado solicitou a manifestação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e da defesa. Após essa etapa, serão preparados os trâmites para o julgamento pelo Tribunal do Júri. Ainda não há data definida.

    A defesa, representada pelo advogado José Paulo Schneider, também solicitou ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) o desaforamento do julgamento. O pedido busca transferir o júri para outra comarca, evitando que a sessão ocorra em Igrejinha. A solicitação ainda será analisada.

    Laudo aponta capacidade de compreensão dos atos

    O exame foi realizado por uma psiquiatra designada pelo Departamento de Perícias Judiciais do TJRS. O documento, concluído em 25 de setembro, não identificou elementos técnicos que demonstrassem que um eventual transtorno mental tivesse eliminado ou reduzido significativamente a capacidade de Gisele de compreender o caráter ilícito de suas condutas na época dos fatos.

    O laudo também registra histórico de transtorno depressivo e abuso de medicamentos.

    A perícia havia sido determinada pelo Tribunal de Justiça após recurso apresentado pela defesa. Em novembro do ano passado, foi instaurado o incidente de insanidade mental, suspendendo temporariamente o andamento da ação penal.

    Família espera julgamento

    Em entrevista à RBS TV no início deste mês, Graziela Pereira, tia das meninas, relatou que a família ainda enfrenta as consequências da perda. Ela afirmou que a conclusão do laudo representa um alívio e aumenta a expectativa pela realização do julgamento.

    “Foi os dois anos mais desafiadores da nossa vida”, relatou.

    Gisele permanece presa desde 15 de outubro de 2024, data da morte de Antônia. O Ministério Público sustenta que a mãe teria provocado a morte das duas crianças por sufocamento.

    Relembre o caso

    Manuela morreu em 7 de outubro de 2024, depois de ser encontrada desacordada em casa, onde estava com a mãe. A menina foi encaminhada ao hospital, mas já chegou sem vida. Inicialmente, havia suspeita de infarto.

    Oito dias depois, em 15 de outubro, Antônia também foi encontrada desacordada na cama. O Corpo de Bombeiros confirmou a morte no local.

    As perícias realizadas pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) não conseguiram determinar a causa das mortes nem identificaram substâncias tóxicas nos corpos. Mais de cem substâncias químicas foram testadas em amostras de sangue e tecidos das meninas, incluindo medicamentos sedativos, pesticidas e venenos, como arsênio. Todos os resultados foram negativos.

    O depoimento de um profissional de saúde contribuiu para que a Polícia Civil solicitasse a prisão temporária da mãe. Posteriormente, Gisele foi denunciada pelo Ministério Público e tornou-se ré por duplo feminicídio.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fonte: G1 RS

    Fernando Kopper

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