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    Polícia

    Investigação no Rio Grande do Sul revela que líderes de organização criminosa comandavam esquema de R$ 21 milhões de dentro da cadeia

    Fernando KopperFernando Kopper11 de junho de 202604 Mins Read9

    A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 11/06, a Operação Apakani, que desarticulou parte de uma organização criminosa responsável por um sofisticado esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro no Rio Grande do Sul. Conforme a corporação, ao menos 26 pessoas foram presas durante a ofensiva.

    As investigações apontam que integrantes do grupo continuavam exercendo funções de comando mesmo estando recolhidos ao sistema prisional, mantendo contato com operadores externos e administrando atividades financeiras da organização.

    Um dos episódios revelados pela investigação mostra a naturalidade com que detentos utilizavam telefone dentro da unidade prisional. Em um áudio obtido durante a apuração, apenados da Penitenciária Estadual de Porto Alegre (Pepoa) realizam um pedido de churrasco por telefone, negociam opções de carne e tentam informar o endereço para entrega, mencionando que seria “na frente do Presídio Central”. Em determinado momento, um dos interlocutores afirma: “No caso, a gente tá preso, moça”.

    Embora o conteúdo pareça trivial, a Polícia Civil considera o episódio um indicativo da manutenção da comunicação entre lideranças criminosas presas e pessoas do lado de fora, permitindo o gerenciamento contínuo das atividades da organização.

    A investigação teve início em 2023, após a apreensão de 1,3 tonelada de maconha em Canoas. A partir desse fato, o trabalho evoluiu para o rastreamento financeiro do grupo, com compartilhamento de provas e medidas judiciais como quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático.

    Segundo o delegado Antônio Carlos Silvano Ractz Júnior, responsável pela investigação na Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro, o grande volume de informações exigiu quase dois anos de análise até que houvesse elementos suficientes para uma operação de grande porte, com dezenas de prisões, buscas e bloqueios patrimoniais.

    Ao longo da apuração, a Polícia Civil identificou uma movimentação superior a R$ 21 milhões ligada à organização criminosa. Conforme a investigação, os recursos circulavam por meio de contas de terceiros, empresas e operações fracionadas com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

    Outro áudio interceptado revela orientações internas sobre a ocultação dos valores, indicando que integrantes recomendavam evitar grandes quantias em contas pessoais e utilizar empresas registradas em nome de terceiros para movimentar recursos que poderiam alcançar até meio milhão de reais por mês.

    A investigação também identificou a utilização de pelo menos 21 empresas em diferentes segmentos e com atuação no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Segundo a Polícia Civil, essas estruturas eram utilizadas para conferir aparência de legalidade aos recursos provenientes do tráfico de drogas por meio de contas de terceiros, movimentações pulverizadas e triangulações financeiras.

    Ainda conforme a investigação, uma das lideranças controlava diariamente as finanças da organização mesmo estando presa, exigindo comprovantes de transferências, acompanhando negociações relacionadas ao tráfico de drogas e monitorando a arrecadação e outros gastos do grupo.

    Para a Polícia Civil, combater a estrutura financeira das organizações criminosas é fundamental para enfraquecer sua atuação. Segundo o delegado responsável pelo caso, não basta apenas prender integrantes, sendo necessário também descapitalizar economicamente essas organizações.

    A operação cumpriu dezenas de mandados de prisão e de busca em municípios gaúchos, incluindo Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Gravataí, Nova Santa Rita, Farroupilha, Gramado, Caxias do Sul e Santa Maria. Em Santa Catarina, as diligências ocorreram em cidades das regiões Sul e da Grande Florianópolis.

    Também foram realizadas buscas em diversas unidades prisionais, entre elas a Penitenciária Estadual de Porto Alegre, a Penitenciária Estadual do Jacuí, o Instituto Penal de Charqueadas, a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, a Penitenciária Estadual de Arroio dos Ratos, o Presídio Regional de Passo Fundo e o Centro de Integração Social de Piraquara da Penitenciária Feminina do Paraná II.

    Ao todo, a operação cumpriu 28 mandados de prisão preventiva, cinco mandados de prisão temporária, 58 mandados de busca e apreensão, 58 bloqueios de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas e 14 sequestros de veículos. Além disso, durante a fase sigilosa da investigação, já haviam sido executadas 71 medidas cautelares relacionadas a sigilos bancário, fiscal, financeiro e telemático.

    As investigações continuam, e a Polícia Civil não descarta novas fases da operação para aprofundar o combate à estrutura financeira da organização criminosa.

    Com informações: Jornalista Fernando Kopper

    Fernando Kopper

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