Os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que se aproxima de duas semanas de duração, têm gerado preocupação entre representantes do agronegócio gaúcho. Lideranças do setor avaliam que o conflito internacional pode agravar ainda mais a situação econômica enfrentada pelos produtores do Rio Grande do Sul, que já lidam com dificuldades relacionadas ao endividamento e aos impactos do clima nas últimas safras.
Nesta terça-feira (10), diversas cidades do Estado já registravam falta de combustível, situação que começou a gerar apreensão na população e no setor produtivo.
Um dos exemplos mais preocupantes é a escassez de diesel, problema que se tornou público no último sábado e passou a ser associado aos reflexos do conflito internacional. O combustível é essencial para o funcionamento do maquinário agrícola, principalmente neste período de colheita do arroz. Com a dificuldade de abastecimento, alguns produtores já relatam a interrupção das atividades no campo.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e também do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier, afirmou que o cenário ainda é incerto e exige cautela.
Segundo ele, o setor enfrenta uma combinação de fatores negativos. “Vivemos uma tempestade perfeita. Nosso setor não está atravessando uma boa fase”, ressaltou, ao mencionar também o alto nível de endividamento dos produtores e os impactos das adversidades climáticas recentes.
A preocupação também foi destacada pelo presidente da Cotrijal, cooperativa agropecuária com sede em Não-Me-Toque, Nei César Manica. Ele afirmou que o tema tem sido discutido durante a Expodireto Cotrijal, já que a guerra influencia diretamente os movimentos da economia global.
“Então, a cadeia produtiva é impactada com a guerra, com falta de combustíveis e aumento de preços. Isso encarece ainda mais os custos de produção. Nós esperamos e acreditamos que isso seja um movimento passageiro. Porque se for duradouro, em um momento que estamos iniciando uma safra, é de extrema preocupação”, destacou.
Além da falta de diesel, outro fator que preocupa o setor é o aumento do preço do petróleo. Nos primeiros dias do conflito, o valor do combustível registrou alta e, desde então, vem apresentando forte oscilação no mercado internacional.
Outro insumo que pode ser afetado é a ureia, fertilizante amplamente utilizado em lavouras de milho. A região onde ocorre o conflito concentra parte significativa da produção mundial desse produto, o que pode impactar a oferta e elevar os custos para os agricultores.
O economista da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antonio da Luz, destacou que elevações rápidas nos preços costumam gerar efeitos imediatos na economia rural. Ele relembrou o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando combustíveis e fertilizantes também sofreram forte valorização.
“Isso me preocupa muito. Essas altas rápidas e duradouras. Porque exige que as pessoas tomem decisões que elas podem se arrepender quando a situação refluir”, afirmou. Segundo ele, é necessário acompanhar a evolução do conflito, já que guerras costumam provocar impactos diretos no preço do petróleo, no câmbio e na volatilidade dos mercados.
Apesar das incertezas, representantes do setor mantêm expectativa de que o conflito tenha uma resolução rápida. A avaliação é de que, com o fim das tensões, o abastecimento de diesel e a estabilidade nas negociações de insumos e combustíveis possam ser normalizados.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
